A Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) realizou, nesta terça-feira (9), em Salvador (BA), a Reunião Presencial da Câmara Técnica Comercial (CTC), reunindo representantes das companhias associadas para discutir temas estratégicos que impactam diretamente a gestão comercial do setor de saneamento no país. O encontro ocorreu no Hotel Deville Prime Salvador e antecedeu a programação do 6º Seminário Nacional de Práticas Comerciais de Saneamento, promovendo um ambiente de troca de experiências, aprofundamento técnico e alinhamento institucional entre as empresas.
Ao longo do dia, os participantes debateram assuntos de grande relevância para o setor, entre eles a cobrança de débitos em separado da conta de água e esgoto, a cobrança de clientes sem vínculo atual com o imóvel, os impactos da Reforma Tributária, as Normas de Referência ANA nº 13/2025 e nº 15/2025, a aplicação da telemetria em condomínios e os contratos por performance.
As apresentações foram conduzidas por especialistas das companhias associadas. A Cesan e a Caesb compartilharam experiências sobre cobrança de débitos em separado da conta de água e esgoto, abordando aspectos relacionados à logística operacional e à adimplência. A Embasa apresentou os principais desafios e perspectivas da Reforma Tributária para o setor de saneamento. Já a Cagece conduziu discussões sobre cobrança de débitos de clientes sem vínculo atual com o imóvel e sobre telemetria e medição do volume de esgoto em Sistemas de Medição Individualizada (SMI).
A Cagepa trouxe contribuições sobre contratos por performance, enquanto a Compesa apresentou os principais pontos da Norma de Referência ANA nº 13/2025. A Norma de Referência ANA nº 15/2025 também integrou a pauta, sendo debatida pelos participantes em uma discussão técnica coletiva.
Para o coordenador da Câmara Técnica Comercial da Aesbe, Isaías Veríssimo, as câmaras técnicas desempenham papel fundamental no fortalecimento da atuação das associadas e na construção de soluções conjuntas para os desafios do setor.
“As câmaras técnicas, no geral, são o coração pulsante da Aesbe. É onde a coisa flui, onde o pessoal troca experiências, compartilha processos e busca soluções em conjunto. Os grandes eventos, como seminários e congressos, são importantes, mas é nas câmaras técnicas que conseguimos aprofundar as discussões, analisar os temas com mais detalhes e compreender melhor os processos de cada associada. Por isso, esses momentos de reunião são extremamente relevantes”, destacou.
A secretária da Câmara Técnica Comercial, Talita Vieira, ressaltou que os encontros da CTC complementam os debates realizados durante o seminário, permitindo uma análise mais aprofundada dos temas de interesse comum.
“A reunião acaba sendo uma oportunidade de aprofundarmos as discussões. Durante o seminário existem os painéis e os momentos para perguntas, mas o tempo e a quantidade de participantes acabam limitando o debate. Aqui conseguimos mergulhar nos temas, entender como as práticas estão funcionando em diferentes companhias e realizar um benchmarking mais detalhado, fortalecendo o compartilhamento de conhecimento entre as associadas”, afirmou.
Cooperação com a Abiquim
Durante a reunião, os participantes também acompanharam uma apresentação sobre o cenário do mercado de produtos químicos utilizados no tratamento de água e esgoto, realizada pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), parceira institucional da Aesbe.
O gerente comercial da Abiquim, Jameson Trezena, destacou a importância do acordo de cooperação entre as entidades e a necessidade de manter as companhias de saneamento informadas sobre as condições de abastecimento de insumos essenciais para a operação dos sistemas.
“O acordo de cooperação entre a Abiquim e a Aesbe é estratégico porque a indústria química responde por grande parte da produção dos insumos utilizados no tratamento de água e em toda a cadeia do saneamento. Estamos vivendo um momento de instabilidade no fornecimento de alguns produtos químicos devido ao cenário internacional, especialmente em razão dos conflitos no Golfo. Nosso objetivo é fornecer informações qualificadas para que as companhias estejam preparadas para enfrentar esses desafios e tenham acesso aos insumos de forma competitiva e regular. Contem sempre com a Abiquim nessa parceria estratégica para o saneamento brasileiro”, afirmou.


