A tecnologia se torna uma verdadeira aliada no combate às perdas

Atualmente, 83% da população tem acesso à água potável, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Atingir a meta do Plano Nacional de Saneamento Básico de garantir o atendimento de 99% da população com água potável até 2033 corresponde ao desafio de abastecer quase 35 milhões de brasileiros que ainda não têm acesso a esse bem. A perda de água no processo, seja por vazamentos, furtos, erros de leitura do hidrômetro, entre outros fatores, dificulta o alcance desse objetivo. De acordo com o SNIS, a média Brasil de perdas nos sistemas chega 38,5%, água esta que poderia ser destinada à população.

Essa perda seria suficiente para abastecer 30% da população brasileira por um ano. É pensando nisso que as companhias estão ampliando a utilização de tecnologias para combater esse desperdício no transporte e na distribuição de água, o que é um passo importante para se atingirem as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab).

Para o gerente executivo de Saneamento e Digitalização da Siemens, Giovanino Giro, é crucial que o sistema seja digitalizado. “Medições do fluxo e da pressão da água têm de ser realizadas em vários pontos da rede, por longas distâncias, pois só assim é possível detectar onde há variações que remetem a um problema no transporte e na distribuição”, esclarece Giro.

O combate a essas perdas faz parte da rotina das companhias de abastecimento. No início do mês de novembro, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) realizou uma operação para identificar roubo de água. De acordo com a companhia, é estimado que há 300 mil ligações irregulares no estado. A digitalização do processo seria uma aliada no combate a essas perdas. A gestão de controle de perdas enquadra-se totalmente na melhoria da qualidade da operação dos sistemas de abastecimento de água e, por consequência, na melhoria dos serviços prestados.

A Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago), por sua vez, desenvolveu um mecanismo próprio para poder avançar na digitalização do saneamento, com foco específico na redução das perdas de água. A companhia, por ter a automação integral das redes de distribuição e reservatórios dos 226 municípios em que opera, consegue monitorar a mínima noturna, o que possibilita a localização de vazamentos e aumenta a agilidade para atuar nessas áreas. De acordo com o superintendente regional de Operações da Região Metropolitana de Goiânia, Alexandre de Souza, a tecnologia é importante para se prestar um serviço de qualidade. “Por meio dessa tecnologia, é possível ter dados, planejar melhor as ações futuras e, assim, tomar decisões acertadas e economicamente mais viáveis para as empresas”, afirma.

Com o recurso, tem-se acesso a uma análise de dados do sistema de distribuição de água, o que facilita a detecção de locais de rompimento da tubulação e a tomada de providências para a redistribuição da água, no intuito de se evitarem perdas até o reparo do problema.

A Saneago possui um sistema híbrido, desenvolvendo algumas tecnologias e também usando as que já estão disponíveis no mercado. Com isso, a empresa conseguiu aumentar a velocidade de instalação, possibilitar a universalização do sistema e avançar cada vez mais. De acordo com Alexandre de Souza, o próximo passo é a digitalização com foco no monitoramento das máquinas e da pressão nas redes, com o objetivo de prever futuras manutenções de maquinário.

Para atingir a universalização do acesso à água, as empresas estaduais de saneamento trabalham na expansão dos sistemas de distribuição e na modernização das tecnologias utilizadas, contribuindo para a redução do volume atual de perdas.

Como funciona a digitalização no saneamento básico

A digitalização se inicia por meio da instalação de instrumentação ao longo das tubulações. Dessa forma, o gerenciamento de todo o sistema de distribuição de água passa a ser realizado por meio de dados em nuvem. É importante lembrar que essa modernização se busca atender as novas diretrizes para o setor de saneamento no país, especialmente as metas de redução de perdas nos sistemas.

 Além de otimizar a gestão por meio de plataformas de inteligência operacional – nas quais os dados são transformados em informações disponíveis em dashboards que ajudam a gerar perfis de consumo para a adequação do fluxo de distribuição da água –, todo o sistema de uma cidade ou região passa a ser monitorado em uma única sala de controle.

O gerente executivo de Saneamento e Digitalização da Siemens explica que pode-se fazer uma analogia com o sistema de controle que é realizado hoje nas principais rodovias do país. “A partir da instalação de câmeras, é feito todo um monitoramento das vias para saber que medidas serão tomadas caso ocorram imprevistos, como acidentes, congestionamentos, neblina ou fumaça na pista. Ao detectar algum problema, são avaliadas possíveis medidas para se desviar o fluxo de veículos, visando a evitar possíveis acidentes e maiores congestionamentos. Da mesma forma, quando se tem uma análise de dados do sistema de distribuição de água, é fácil detectar locais de rompimento da tubulação, tomar medidas para a redistribuição da água e evitar perdas até o reparo do contratempo”, concluiu.


 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

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