A Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) promoveu, na sexta-feira (24), uma reunião conjunta entre a Câmara Técnica de Controle da Qualidade (CTCQ) e a Câmara Técnica de Logística e Suprimentos (CTLS) para discutir os impactos da escassez de insumos químicos utilizados no tratamento de água e definir ações coordenadas entre as empresas associadas. O encontro também contou com a participação de representantes de outras câmaras técnicas e da equipe da entidade.
O principal tema da reunião foi a interrupção da produção nacional de ácido fluossilícico, insumo utilizado no processo de fluoretação da água. A situação tem gerado preocupação entre as companhias de saneamento devido ao risco de desabastecimento e às dificuldades para encontrar alternativas viáveis de fornecimento no curto prazo. Durante o encontro, foram avaliadas possibilidades como importação do produto e fornecimento por novos fabricantes, mas os participantes destacaram os desafios técnicos, operacionais e financeiros envolvidos, além da necessidade de certificações para garantir a qualidade do insumo.
O diretor executivo da Aesbe, Sergio Gonçalves, apresentou o andamento das tratativas realizadas junto ao Ministério da Saúde, iniciadas ainda em junho, para buscar uma solução institucional que resguarde as empresas associadas caso ocorra a interrupção temporária da fluoretação por falta do produto. O objetivo é garantir segurança jurídica às companhias, uma vez que a ausência do ácido fluossilícico não compromete a potabilidade da água, mas interfere em uma política pública consolidada de saúde bucal.
Outro ponto de destaque foi a necessidade de fortalecer a produção de informações estratégicas pelas associadas. As câmaras técnicas deliberaram pela adoção de uma metodologia simplificada para o levantamento do consumo de produtos químicos. A medida busca facilitar o preenchimento do painel de dados da Aesbe e ampliar a confiabilidade das informações utilizadas nas negociações com órgãos governamentais e fornecedores.
Durante a reunião, também foi destacado que a escassez pode atingir outros insumos fundamentais para o tratamento de água, como sulfato de alumínio, policloreto de alumínio e ácido sulfúrico, provocando aumentos expressivos nos custos de aquisição e pressionando os contratos das empresas de saneamento. Nesse contexto, os participantes reforçaram a importância da atuação integrada da Aesbe para consolidar dados, ampliar o compartilhamento de informações entre as associadas e fortalecer a interlocução institucional em defesa do setor.
Como encaminhamento, a Aesbe solicitou que todas as empresas associadas atualizem o painel de dados da entidade com informações sobre consumo, estoques, fornecedores e reequilíbrios contratuais. As informações subsidiarão as próximas reuniões com os presidentes das companhias e contribuirão para a construção de estratégias conjuntas voltadas à garantia da continuidade dos serviços de abastecimento de água em todo o país.


