Vinci Partners mira concessões da Cedae

Valor Econômico

13/01/2021

Por Rodrigo Carro — Do Rio

Vinci Partners mira concessões da Cedae

Gestora conversa com interessados em formar consórcio para disputar licitação de serviços

Com cerca de R$ 2 bilhões aplicados no setor de infraestrutura, a Vinci Partners planeja estrear no ramo de saneamento ainda este ano. Além de participar de um consórcio formado para disputar a concessão de serviços de água esgoto em Petrolina (PE), a gestora de recursos conversa com empresas e investidores interessados na Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). O edital de licitação dos serviços de distribuição de água e coleta e tratamento de esgoto foi publicado no fim do ano passado.

“A Vinci tem sido provocada por alguns players internacionais que não estão no Brasil e, também, por operadores nacionais”, conta José Guilherme Souza, sócio da Vinci Partners responsável pela área de infraestrutura da gestora de recursos. “Na fase atual está todo mundo conversando com todo mundo. O ‘bicho’ [Cedae] é grande demais”, diz o executivo.

O investimento previsto pelo governo fluminense é de R$ 30 bilhões ao longo do período de concessão de 35 anos. Os recursos serão distribuídos por quatro blocos de municípios, num total de 35 cidades. Com outorga mínima de R$ 10,6 bilhões, a licitação das concessões da Cedae desperta a atenção de empresas e investidores nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, afirma o sócio-executivo da consultoria GO Associados Gesner Oliveira, ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Sem citar nomes de interessados por questões de sigilo contratual, Oliveira destaca a disposição de disputar a Cedae, tanto entre “operadores nacionais bem posicionados no mercado de saneamento”, como de empresas de infraestrutura que não atuam especificamente neste segmento.

“O processo de concessão da Cedae será um grande teste para a política econômica”, afirma Oliveira. “Será a licitação do ano na América Latina, sem sombra de dúvida”, acrescenta.

Fonte do setor de saneamento que pediu para não ter seu nome divulgado informa que houve aumento de consultas, ainda informais, sobre a licitação da concessionária de água e esgoto fluminense. “Todos estavam querendo entender melhor o projeto para avaliarem o investimento em consultores”, diz. Na lista de interessados, ainda que de forma preliminar, a fonte cita a Equatorial Energia, a espanhola Acciona e as chinesas Gezhouba Group Company (CGGC) e China Railway Engineering Corporation (CREC), além da Enorsul e da Aviva.

“Nossa visão é de que haverá muita competição”, frisa José Guilherme Souza. A carteira de recursos geridos pela Vinci soma aproximadamente R$ 50 bilhões. No setor de infraestrutura, os focos prioritários são as áreas de energia, transporte, telecomunicações e saneamento. No caso da Cedae, o executivo explica que ainda é cedo para determinar qual dos quatro blocos de municípios fluminenses seria prioritário na estratégia da Vinci.

Dentro do modelo desenhado pelo BNDES, a capital do Rio de Janeiro – área geográfica mais rentável – teve seus bairros “repartidos” dentro dos quatro blocos de cidades. “O BNDES foi muito feliz na estruturação desses blocos. Acho que estão muito bem balanceados”, opina o sócio da gestora de recursos.

A Vinci participou, como integrante de um consórcio, da licitação dos serviços de saneamento para atender a Região Metropolitana de Maceió (AL). Realizado em 30 de setembro, o leilão foi vencido pela BRK Ambiental. Souza conta que a Vinci analisa licitações ainda em fase de estruturação pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como a do Amapá. E, também, em cidades de menor porte.

A Vinci acumula experiências passadas como controladora de empresas do setor elétrico, como a Light e a Equatorial Energia. As investidas na área de saneamento, mais recentes, estão relacionadas à aprovação pelo Congresso Nacional do novo marco regulatório do saneamento, no ano passado. Souza destaca ainda a melhoria na qualidade dos projetos, a partir da entrada em cena do BNDES como estruturador.

 

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