Por Roseli Loturco – Valor Econômico

05/12/2018 – 05:00

Os investimentos diretos da China no Brasil somaram US$ 55,4 bilhões de 2013 para cá. Mas as cifras, que vinham em trajetória de alta nos últimos anos, batendo em US$ 10,8 bilhões em 2017, caíram muito em 2018. Até setembro, empresários chineses não desembolsaram mais do que US$ 1,4 bilhão em operações de fusões, aquisições e concessões, segundo o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Os setores predominantes foram energia, óleo e gás, educação, papel e celulose, tecnologia, serviços financeiros, saneamento e e-commerce.

A expectativa é de que com a posse do novo governo, em janeiro, o fluxo de negociações volte a aumentar. Especialmente em áreas como as de infraestrutura, energia e transportes. “As demandas da China se situam nas áreas nas quais o Brasil é competitivo e tem oferta elevadas, como agricultura, minérios e energia. Temos condições de ampliar ainda mais a nossa oferta”, avalia o embaixador Roberto Jaguaribe, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). A agência opera para viabilizar os interesses mútuos de empresas brasileiras exportadoras e para ampliar os investimentos diretos nos dois países.

Uma das ações para ampliar as relações comerciais entre os dois países aconteceu no início de novembro, quando a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Apex, levou 120 empresas brasileiras para participar da China Internacional Import Expo, em Xangai – 75% das empresas eram de alimentos processados como café, bolachas, mel e sucos de frutas especiais.

“Hoje há poucas empresas brasileiras produzindo ônibus, calçados e compressores na China. Queremos ampliar nossa presença não só como exportadores. Mas também com investimento direto”, afirma Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp. Não há dados oficiais de investimentos de empresas brasileiras na China, mas o governo diz estar organizando um estudo geral para mapear este fluxo de investimentos.

Já no contrafluxo, o executivo explica que as constantes turbulências econômicas e políticas do Brasil esfriaram um pouco o interesse da China este ano. “Se o novo governo fizer as reformas, não só os chineses como outros países virão para cá. Os chineses têm forte interesse no setor de infraestrutura e têm expertise em ferrovias”, afirma Zanotto.