Participação da indústria de transformação cai ao mínimo

Valor Econômico
05/03/2020

Por Ana Conceição

Coronavírus deve nublar cenário diante da desaceleração do comércio global

A participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) do país atingiu no ano passado o menor nível da série histórica do IBGE, iniciada em 1996: 11%. Em 2018, era de 11,4%.

No melhor momento da série do IBGE, em 2004, a fatia da indústria no PIB atingiu 17,8%. O pesquisador Paulo Morceiro, especializado no setor, que usa uma série histórica mais longa, afirma que esta é a menor participação da indústria no PIB desde 1947.

O setor vem em crise constante há vários anos e em 2019 levou um baque com a recessão da Argentina, país que é um dos principais destinos da produção manufatureira brasileira. A pífia recuperação da economia, que cresceu apenas 1,1% em 2019, também contribuiu para o resultado.

O PIB da indústria de transformação ficou praticamente estável (+0,1%) no ano passado, depois de dois anos positivos: 2018 (1,5%) e 2017 (2,3%). Os três anos anteriores a 2017, contudo, foram de quedas expressivas. Já a indústria total, que inclui o setor extrativo, construção civil e serviços de utilidade pública, cresceu 0,5% em 2019, mesma taxa de 2018. Afetada pelo desastre de Brumadinho (MG), a indústria extrativa caiu 1,1%.

Quanto a 2020, o impacto da epidemia de coronavírus no Brasil vai afetar a indústria de transformação justo num momento em que o setor tinha uma conjuntura um pouco mais favorável. Assim, aumenta o desafio para o setor produzir um número muito melhor que o mostrado pelo PIB do ano passado, afirma Morceiro. A indústria brasileira, lembra, sempre esperou uma conjuntura que somasse juro baixo, câmbio depreciado e menos impostos. Os dois primeiros estão presentes há dois anos. “A teoria diz que as exportações reagem à depreciação cambial em um prazo de até dois anos. Assim, era esperado um desempenho melhor do setor em 2020”.

Mas o coronavírus deve nublar este cenário diante da desaceleração do comércio global. Isso, somado à perda de competitividade da indústria nacional, que tem se aprofundado, e a uma demanda doméstica em lenta recuperação, deve levar o setor a um resultado tímido em 2020.

Passada a crise da epidemia, que para o pesquisador deve se estender até pelo menos o segundo trimestre, a indústria pode ter um resultado melhor, mas isso fica para o ano que vem.

 

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