Parcelamentos longos sustentam vendas

Valor Econômico
25/08/2020

Com entrada zerada de novos veículos na base, empresas reforçam opções para renovar apólices

A queda de 5,86% nos prêmios de seguro automotivo emitidos no primeiro semestre, frente a igual período de 2019 é fruto de um esforço enorme das seguradoras para manter as renovações, já que o fechamento das concessionárias praticamente zerou a entrada de novos veículos na base. Os apelos incluíram manutenção ou redução no preço das apólices, parcelamentos em dez vezes sem juros, prorrogação do bônus por 60 dias para quem não conseguia renovar e um reforço nas estratégias para a oferta de produtos mais enxutos. O que ajudou nos resultados foi a sinistralidade, em queda.

“O desempenho da economia em 2019 já afetava o seguro auto e a situação se agravou na pandemia, com impactos no mercado de novos veículos abalando todo o ecossistema que movimenta o setor”, relata Walter Pereira, presidente da Comissão de Seguro Automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), acrescentando que nos próximos trimestres “será possível observar recuperação”. Em 2019, os prêmios emitidos em seguro auto foram de R$ 36 bilhões, 0,5% acima de 2018. O ano de 2020 prometia melhora, mas covid-19 acertou em cheio o desempenho, com recuo de 36,13% nas vendas de veículos novos no semestre.

Na líder em seguro auto com 27,3% de mercado, o desempenho foi considerado razoável. “O pesado da indústria é a renovação, perto de 70%, e as iniciativas do setor deram resultado, mas claro que não compensariam o recuo dos novos”, comenta Marcelo Picanço, diretor geral de Negócios e Investimento da Porto Seguro. As ações com foco na renovação acompanharam as dos concorrentes com parcelamento maior e preço igual ou menor. No acumulado do semestre, prêmios emitidos caíram 6,3%. O ponto positivo foi a sinistralidade, de 47,5%, bem menor do que o 56,1% do semestre de 2019.

Na Bradesco, a ordem foi cautela, com parcelamentos maiores, mas sem redução de preço. As iniciativas também focaram nos corretores. “Implantamos a renovação simplificada que facilita e pode reduzir custos para o corretor. O sistema faz a renovação nos mesmos moldes do ano anterior, bastando que ele autorize”, diz Saint’Clair Lima, diretor da Bradesco Auto/RE. “Quem aderiu registrou entre 10 a 15 pontos percentuais a mais de renovação.”

Na linha de produtos mais simples, Lima lembra que a Bradesco já tinha criado no final de 2019 o Auto Light, com as coberturas limitadas a algo entre 70% e 80% da tabela Fipe. Já foram emitidas 4 mil apólices, pouco na avaliação do executivo. “O próprio corretor não tem a cultura de oferecer esta segunda opção. Estamos mexendo na parte de comunicação para acelerar o produto.”

Nos últimos dados da Susep, a Bradesco RE aparece como vice-líder com 11,3% de mercado e R$ 1,99 bilhão em prêmios emitidos no semestre, mas deve ser ultrapassada pela Allianz, que em julho concluiu a compra da carteira de auto e massificados da SulAmérica por R$ 3 bilhões. “No curto prazo não muda nada, mas no futuro próximo a junção vai trazer o melhor dos dois mundos”, diz Eduard Folch, presidente da Allianz Seguros.

As estratégias da Allianz para estimular as renovações incluíram redução de preços, entre 7% e 9%. Os prêmios líquidos saltaram 12,5% entre janeiro e junho. Até 30 de junho, a Allianz tinha 1 milhão de apólices vigentes; com a SulAmérica chega agora a 3 milhões. “Mantivemos uma ótima renovação e ao mesmo tempo minimizamos a queda de novos porque conseguimos trazer clientes de outras seguradoras”, explica David Beatham, diretor de massificados e vida.

Na Tokio Marine, o semestre andou praticamente de lado, com recuo próximo a 1%, mas já com sinais de melhora. “Em junho, os prêmios cresceram 9,5% e agora em julho um pouco mais de 2%”, informa Luiz Padial, diretor de automóvel da Tokio. “Nem nos nossos melhores momentos imaginávamos que recuperaria tão rápido. Não tem como não crescer no segundo semestre.” O parcelamento na Tokio chegou a até 12 vezes, em um conceito de “mensalização do seguro”.

Em meio à pandemia, a seguradora lançou o seguro para motos, já vendeu 6 mil apólices, e trabalha com a meta de chegar a 100 mil em 12 meses. “Nós já testávamos o produto e o momento foi oportuno para lançar. Muitas pessoas questionam o uso de carros compartilhados ou mesmo de transporte público”, diz Padial.

A política agressiva de descontos da Mapfre Seguros, que segurou o número de itens cobertos, acabou derrubando o volume de prêmios emitidos, que foi de R$ 1,34 bilhão, menos 25% na comparação semestral. “Fomos rápidos ao focar na renovação e chegamos a dar 7% de desconto”, afirma Luis Gutiérrez, CEO da Mapfre Seguros, pontuando que este é um caminho tático e não estrutural. “Aguentamos por uns meses, mas se as vendas não voltam aí sim pode ter um grande problema no seguro auto.” Na Mapfre, destaca Gutiérrez, o índice de renovação cresceu, o que caiu foi na parte de novos negócios, que chegam a 35% da carteira.

Mudanças no portfólio não foram necessárias na Liberty, que desde 2017 criou a Aliro, de produtos mais acessíveis. “Hoje, a Aliro já tem uma relevância em nossa”, afirma Mario Cavalcanti, diretor de massificados da Liberty Seguros, sem dar números por “questões estratégicas”. A Aliro trabalha no conceito de produto PMG (diferentes coberturas). Em maio, a Liberty relançou o produto P, dando a possibilidade de o cliente abrir mão da cobertura por perda parcial e ficando apenas com perda total por roubo ou colisão. “Demos mais flexibilização nas regras de acesso porque víamos espaço para isto”, diz.

 

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