Para ministro, vírus foi ‘gota d’água’ da desaceleração

Valor Econômico
10/03/2020

Por Mariana Ribeiro

Para Paulo Guedes, porém, economia brasileira está acelerando, na contramão da atividade global

Em dia de forte estresse nos mercados internacionais, o ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou que o mundo já vinha de uma situação de desaceleração sincronizada e o coronavírus foi a “gota d’água” que acentuou essa queda. Apesar disso, pontuou, o Brasil vai na direção contrária, com a economia começando a reacelerar. Ele tornou a dizer que o país tem uma dinâmica própria de crescimento em relação ao restante do mundo.

“Estamos absolutamente tranquilos e confiantes de que a democracia brasileira vai reagir, transformando essa crise em avanço das reformas, mais crescimento e mais emprego. Enquanto o mundo desce, o Brasil vai começar a reaceleração do crescimento”, disse em dia de queda nos preços do petróleo e nas bolsas internacionais frente a um temor de maior desaceleração global.

De acordo com Guedes, a melhor resposta do país à instabilidade global é o avanço das reformas, como a administrativa e a tributária, que, segundo ele, serão encaminhadas em breve ao Congresso.

Destacando o peso das reformas, citou propostas ainda não apresentadas pelo governo. Ele afirmou que a administrativa deve ser encaminhada ainda nesta semana, assim que o presidente Jair Bolsonaro retornar ao país, o que está previsto para depois de amanhã. Ele afirmou que a equipe do presidente se debruçou sobre o tema, deu sugestões e Bolsonaro deu aval ao texto. “Agora é questão de oportunidade.”

Em relação à tributária, disse que a contribuição inicial do Executivo será encaminhada nesta ou na próxima semana. Guedes destacou também o avanço das propostas de emenda à Constituição (PECs) do Pacto Federativo ao Congresso. Ele defendeu que cada Poder faça a sua parte e fez um apelo pela aprovação das reformas e de projetos como de autonomia do Banco Central e do novo marco do saneamento.

Questionado sobre as dificuldades de articulação política com o Legislativo, o ministro preferiu não comentar. Ele defendeu que os congressistas “descarimbem” o Orçamento se quiserem mais recursos, fazendo referência à ampliação do Orçamento impositivo. “Não é possível querer os benefícios dos recursos sem ter custo político de aprovar as reformas.”

 Já sobre a alta do dólar, Guedes voltou a dizer que o novo modelo do país é de juros mais baixos e câmbio mais alto. Ele afirmou que, se não houver avanço nas reformas, a volatilidade deverá continuar. Em um cenário de consolidação fiscal, no entanto, a situação pode “se acalmar”.

Em relação à venda de reservas pelo Banco Central, disse tratar-se de decisão da autoridade monetária, mas também fez menção à agenda legislativa. “Se as reformas avançam e as pessoas estão tentando comprar dólar, acredito que o BC vá vender [reservas]. Mas, se as reformas não avançam e aí não tem fundamentos a favor, a incerteza continua.”

O ministro não deu detalhes sobre sua posição em relação à queda da cotação do barril de petróleo. “Quando o preço do petróleo subiu, todo mundo disse ‘greve dos caminhoneiros, terrível, inflação vai voltar’. Aí o preço do petróleo cai e todo mundo vai falar o quê agora?”, questionou.

 

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