País deve crescer entre 2% e 2,5% em 2020, diz Guedes

Valor Econômico

Por Arícia Martins e Hugo Passarelli — De São Paulo
04/11/2019

Ministro compara economia brasileira a baleia ferida que está “tirando os arpões” e “voltando a se mexer”

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou ontem que a economia brasileira já voltou a crescer e o ritmo deve acelerar entre este e o próximo ano, num ciclo mais autossustentável. Segundo Guedes, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve avançar entre 2% e 2,5% em 2020, mais do que o dobro da taxa a ser observada em 2019.

Comparando a economia brasileira a uma baleia ferida, o ministro disse que o governo está “tirando os arpões e ela está voltando a se mexer”. Enquanto a agenda de reformas dará sentido de consolidação ao regime fiscal, a economia já está crescendo mais do que antes e deve acelerar ainda mais, afirmou. Com os “descaminhos” produzidos pelo passado de descontrole de gastos, é ingenuidade achar que o Brasil vai passar a crescer a taxas mais robustas, entre 4% e 5%, da noite para o dia, mas o crescimento já está voltando, ponderou. Guedes falou ontem no Estadão Summit, evento do qual participou num painel com outros economistas, em São Paulo.

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Ao mesmo tempo, a taxa neutra de juros da economia brasileira, que permite que a atividade cresça sem pressionar a inflação, também é mais baixa do que no passado recente, o que, por consequência, reduz as despesas do governo com os juros da dívida, acrescentou o ministro. “Teremos um círculo virtuoso”, comentou, respondendo pergunta sobre quando a economia vai voltar a crescer. Do lado fiscal, a reforma da Previdência coloca a principal despesa do governo federal sob controle, acrescentou.

De acordo com Guedes, pela primeira vez em oito anos, a aceleração da atividade econômica no país é “autossustentável”, e não induzida pelo Estado. Mesmo a liberação de saques de contas ativas e inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a criação do saque-aniversário, na visão do ministro, foram um “empurrãozinho autossustentável”. “Foi criado um 14º salário permanente. Tem muita coisa andando e acho que vamos sentir já, já o bafo da recuperação econômica”, reforçou.

O ministro mencionou novamente o esperado choque de “energia barata” que vai decorrer da quebra de monopólio de exploração de gás, que, em sua avaliação, vai trazer reindustrialização ao país. Ainda no setor de infraestrutura, citou a MP do Saneamento, que deve resultar em uma nova onda de investimentos no setor. “A privatização vai trazer saneamento para cidades brasileiras.”

 Guedes ainda buscou minimizar eventuais repercussões de vídeo postado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta semana, em que o mandatário se compara a um leão atacado por hienas – que seriam partidos políticos (PT, PSDB, PDT e PSL), a Organização das Nações Unidas (ONU), o Supremo Tribunal Federal (STF) e veículos de imprensa. Para o ministro, é preciso diferenciar a forma do conteúdo das falas presidenciais. “O presidente às vezes é desafortunado em sua forma de expressão, mas gostaria de ver como alguém reagiria ao bombardeio que esse homem é submetido há dois ou três anos.”

O ministro afirmou que o ruído provocado por essas e outras declarações é “perturbador”, mas se disse conformado com esse estilo. “O presidente não muda”, disse ele, ressaltando que deveria existir respeito maior entre o presidente e seus interlocutores.

Para o ministro, também não é possível comparar a situação do Brasil com a do Chile, que adotou o mesmo receituário liberal nas últimas décadas que é agora bandeira do governo brasileiro e hoje enfrenta pressão popular em protestos históricos.

“Como negar 30 anos de acerto no Chile por que houve uma manifestação?” Na sexta-feira, a capital chilena, Santiago, foi palco de protestos que reuniu 1,2 milhão segundo a mídia local, os maiores desde a redemocratização no país sul-americano.

Guedes voltou a dizer que, apesar da ênfase do Estado brasileiro na questão social nos últimos 30 anos, houve falhas na condução dessa política. “As legítimas aspirações sociais pedem solidariedade, mas chegamos em outro extremo que está tudo carimbado”, disse o ministro.

Segundo ele, o erro foi ter “lançado os cobertores na área social” sem privatizar e transformar o Estado. “Vamos privatizar e abrir o investimento para o setor privado.”

 

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