Odebrecht e Allonda estudam disputar PPP de esgoto

Valor Econômico
02/10/2020

Por Taís Hirata

Leilão de esgoto em Cariacica, no Espírito Santo, foi adiada para 20 de outubro após pedidos de impugnação

Após a concorrida disputa pela concessão de saneamento em Alagoas, a Parceria Público Privada (PPP) de esgoto em Cariacica (ES) também tem movimentado o mercado. Além de operadores tradicionais, a Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) e a Allonda Ambiental se preparam para a concorrência – fontes do mercado dizem que as companhias formarão um consórcio, mas as empresas não confirmam, nem negam, a informação.

O leilão, que está sendo estruturado pelo BNDES, havia sido marcado para 14 de setembro, mas teve que ser adiado para 20 de outubro após dois pedidos de impugnação do edital. Um deles partiu da BRK Ambiental e, o outro, da própria Allonda. A entrega de envelopes com as propostas deverá ser feita na terça-feira, na sede da B3, em São Paulo. Ao todo, está previso um investimento de R$ 1,3 bilhão ao longo dos 30 anos de contrato.

O grupo Odebrecht tem uma ampla experiência no setor, embora atualmente não possua concessões. Seu braço de água e esgoto, a Odebrecht Ambiental, foi vendido em 2017 à canadense Brookfield, dando origem à BRK Ambiental, hoje o maior grupo privado do mercado.

Recentemente, a OEC, construtora do conglomerado e principal aposta para a retomada do grupo, conseguiu renegociar suas dívidas bilionárias e protocolou, em 20 de agosto, seu pedido de recuperação extrajudicial, que formaliza o acordo na Justiça – para participar do leilão, será preciso obter a homologação.

A empresa confirma que está trabalhando em uma proposta, mas diz que o formato de participação ainda está em construção.

A Allonda atua há 20 anos em engenharia ambiental, com serviços como dragagem, remediação ambiental e gestão hídrica. A companhia está se estruturando desde 2017 para expandir sua operação e passar a atuar em concessões do segmento, afirmou ao Valor o presidente, Leo Cesar Melo. Ele também é um dos três acionistas da empresa, ao lado de Luíz Gustavo Escobar e Luíz Antonio Escobar.

O leilão de Cariacica não é o único analisado pela Allonda, que se preparou para oito projetos neste ano. Os outros sete, porém, estão suspensos, diz o executivo. Entre eles, está a concessão de saneamento do município de Petrolina (PE). A concorrência estava marcada para a última segunda-feira, mas foi suspensa após uma cautelar o Tribunal de Contas do Estado. Essa instabilidade jurídica também impediu a realização de outras concorrências, em Andradas (MG), Amparo (SP) e Erechim (RS).

Hoje, a companhia já tem licença para operar, sozinha, concessões de até 300 mil habitantes. No caso da PPP de Cariacica, que está acima dessa faixa, a Allonda teve que firmar uma associação com outro grupo, autorizado a operar contratos maiores, diz ele. No setor, a Odebrecht é apontada como esse parceiro, o que Melo não nega nem confirma.

Apesar da necessidade de buscar um sócio no leilão, fôlego financeiro não é um problema para a Allonda, segundo o presidente. Ele afirma que a companhia tem recursos próprios e condições para captar no mercado. Neste momento, a empresa está contratando um banco e uma agência de rating para viabilizar uma emissão de debêntures verdes, justamente para garantir investimentos em sua expansão, diz o executivo.

Em 2019, a Allonda Ambiental teve receita operacional líquida de R$ 159 milhões e lucro líquido e R$ 16,7 milhões. Segundo Melo, a empresa tem hoje um backlog acima de R$ 1,3 bilhão, que inclui, entre outros projetos, a despoluição do Rio Pinheiros – a empresa venceu dois dos 16 lotes leiloados pela Sabesp.

Na disputa pela PPP de Cariacica, outra grande concorrente é a Aegea Saneamento, apontada por fontes como uma das favoritas, pelo fato de já possuir concessões municipais no Espírito Santo. Procurada, a empresa diz que “aguarda com boas expectativas a licitação” e ressalta que suas operações em vigor no Estado foram destacadas em rankings recentes do setor.

 

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