Maia: país terá duas ondas de gastos elevados para combater a Covid-19

Correio Brasiliense
07/04/2020

Por Luiz Calcagno

Os efeitos da crise devem se expandir até depois de 2022

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) participou de uma live com a corretora de investimentos Necton, na manhã desta terça-feira (7/4). Maia falou sobre a importância de uma retomada econômica e destacou que, passada a crise sanitária e econômica provocada pelo coronavírus. Segundo ele, o Brasil terá um segundo semestre de crise e que o próximo ano será muito difícil para a economia.

Para ele, os efeitos da crise devem se expandir até depois de 2022. Maia voltou a se posicionar contra o adiamento das eleições, marcado para outubro e também criticou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que criaram crises diplomáticas com a China “desnecessariamente”.

O primeiro tema abordado foi a proposta de emenda à Constituição 10/2020, mais conhecida como PEC do orçamento de guerra, que irá à plenário no Senado em 13 de abril. A matéria foi criada, principalmente, para dar liberdade de gastos ao governo no combate à epidemia de coronavírus no Brasil, garantindo que ações não interfiram no orçamento anual aprovado pelo Congresso e, para Maia, é indicador de que parlamentares estão unidos, independente do espectro político, para combater os efeitos da pandemia de coronavírus.

“O que nos une é o curto prazo. Os que têm uma agenda mais liberal e uma mais estatizante. Há um certo consenso que a gente deve cuidar da crise e não deixar despesas de médio e longo prazo contaminem o orçamento. A PEC da guerra veio organizar o orçamento. Vem com essa preocupação. Estamos tentando construir uma proposta que resolva o ano de 2020. Em 2021, vão aparecer propostas que vão comprometer até o próximo governo. É preciso evitar que setores se beneficiem para ganhar benefícios a longo prazo”, afirmou o parlamentar.

Maia também comentou a relação com o governo, que tem se agravado com o caminhar da crise. O presidente da Câmara pediu, mais uma vez, que o momento de crise se torne uma oportunidade para reconstruir as relações. “A relação do presidente com parlamento não é boa. Ele tem gente em torno dele nas redes que atacam o parlamento todo dia. Todo dia a gente recebe uma fake news atacando o parlamento, atacando o Mandetta. Ele, de fato tem uma relação ruim com o parlamento e o STF”, enumerou.

“Construímos a PEC. Conseguimos aprovar. Isso mostrou que os conflitos são irrelevantes. O ministro Ramos destaca que é o momento de reconstruir relações. Ainda não conseguimos reconstruir essa relação, mas na agenda do segundo semestre, teremos uma segunda onda, como o Brasil se recuperando da recessão. O ano de 2021 vai ser muito difícil. Com as pontes restabelecidas vai ser mais fácil”, avaliou.

Balança mas não cai

Maia também comentou a tensão gerada pela expectativa de demissão do ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, nesta segunda (6). Ele disse que já esperava que o chefe da pasta permanecesse no governo, como ocorreu. “Eu tenho conversado com pessoas do entorno do mandetta. E disse que o presidente não vai demitir um ministro popular. Vai desorganizar a relação, mas vai manter o Mandetta. O presidente trabalha muito com popularidade. Principalmente nas redes sociais. É assim a relação dele com Moro e será assim com Mandetta. Quando eu vi aquele show do Jorge Mateus com o mandetta entrando a cada hora, eu pensei que o presidente não iria gostar”, disse.

“A sociedade, com a confiança que o Mandetta conquistou, nesse momento seria muito difícil para o presidente tirá-lo. Eu disse a um assessor que o presidente é uma pessoa inteligente. Ele pode não ter agenda econômica, ter outras prioridades, mas tem outras estratégias e é inteligente, ele não ia demiti-lo”, garantiu.

Investidores

Ainda de acordo com Maia, o investidor deverá olhar, no segundo semestre de 2020, para o endividamento do estado, que vai aumentar muito. “O investidor tem que olhar a despesa permanente. O endividamento vai aumentar muito. Principalmente no segundo semestre. As pessoas vão olhar se são despesas permanentes ou extraordinárias. Por isso, acho que vão olhar com tranquilidade ao ver que a despesa tende a se normalizar com o tempo. Mas terá uma primeira onda de gasto, e terá uma segunda. E o setor privado terá menos condição de investir”, alertou.

“Qual é o papel do estado na retomada do crescimento econômico? Temos obras paradas. É preciso garantia de financiamento ao st privado. o governo terá qeum montar uma equação para lidar com a segunda crise. Como financiar o setor privado? A vida volta ao normal, as relações voltam ao normal, mas, em um curto prazo, o governo tem que garantir que o início do investimento do saneamento, por exemplo, seja iniciado de forma mais rápida. Por isso a importância da Pec da guerra, que trata das áreas da saúde, economia e social. E Trata, também, da necessidade de olhar a emergência e urgência das decisões econômicas e sociais”, acrescentou.

 

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