Guedes avalia lançar candidato brasileiro à presidência do BID

Por Daniel Rittner – Valor Econômico

05/02/2019 – 05:00

A sucessão do colombiano Luis Alberto Moreno na presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) desperta o interesse do novo governo brasileiro. O mandato do executivo termina em 2020. Ele vai completar 15 anos no cargo. No entorno do ministro da Economia, Paulo Guedes, fala-se em articular uma candidatura do país para a futura chefia da instituição multilateral.

A equipe econômica pretende sondar, nas próximas semanas, qual seria a possibilidade de apoio de Washington à eventual empreitada. O aval da Casa Branca é considerado decisivo, porque os Estados Unidos são os maiores acionistas individuais e têm 30% dos votos. Uma visita do presidente Jair Bolsonaro à capital americana está sendo organizado para março. Não se descarta que a sucessão no BID entre na lista de assuntos a serem tratados na conversa com Donald Trump.

Se levar adiante uma candidatura própria, o governo Bolsonaro tem pelo menos um “nome dos sonhos” para apresentar: o atual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, que deixará o cargo em março. Por ora, trata-se apenas de um desejo manifestado em voz baixa na Esplanada dos Ministérios, nenhuma costura foi feita até agora, mas a vontade é essa.

Procurado pelo Valor, Ilan não quis fazer comentários.

A maior movimentação para o comando do BID tem sido feita, nos bastidores, pela Argentina. O economista Rogelio Frigerio (atual ministro do Interior, Obras Públicas e Habitação) deve ser lançado pelo presidente Mauricio Macri. As chances de sucesso de Frigerio, no entanto, dependem da vitória de Macri nas eleições presidenciais de dezembro.

Ganhando, ele tem a favor da candidatura argentina sua proximidade com Trump. O que pode jogar contra é o resgate de US$ 57 bilhões pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Países altamente endividados com instituições multilaterais não costumam indicar seus representantes máximos.

Brasil e Argentina são, depois dos Estados Unidos, os principais acionistas do banco. Cada um detém 11,2% dos votos. Nos meios diplomáticos em Washington, corre a informação de que os dois países teriam conversado informalmente para não entrar em disputa pelo processo sucessório de Moreno. Como o governo argentino estaria disposto a derrubar essa tentativa de entendimento, o Brasil também poderia lançar sua candidatura própria.

A eleição no BID só ocorre em abril de 2020. Pode parecer distante, mas todos concordam que uma campanha exitosa precisa ser feita com antecedência. O assunto provavelmente dominará as conversas de corredores na reunião anual do banco, no fim de março, em Chengdu (China).

Na última tentativa de emplacar um brasileiro na instituição, o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez campanha pelo economista João Sayad em 2005. Foi um fracasso. Só 11 países o apoiaram. Nem mesmo o Uruguai e o Paraguai, sócios no Mercosul e teoricamente no círculo de influência do Itamaraty, votaram com o Brasil. Moreno, que era embaixador da Colômbia em Washington, foi eleito com o sinal verde dos Estados Unidos.

Para fontes do governo Bolsonaro, uma eventual candidatura vitoriosa ao BID alavancaria o status do Brasil nos organismos econômicos multilaterais, que já tem o diplomata Roberto Azevêdo na direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e poderá indicar o presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (conhecido como “Banco do Brics”) a partir deste ano. Roberto Fendt, PhD em Economia pela Universidade de Chicago, é o preferido de Guedes para o cargo.

A agenda entre Bolsonaro e Trump certamente incluirá um pedido de apoio dos Estados Unidos à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo pessoas que têm conduzido o processo pelo lado brasileiro, as resistências dos departamentos de Estado e do Tesouro já estão praticamente superadas. Hoje o foco de desconfiança se concentra no USTR, o escritório de representação comercial da Casa Branca, que é comandado por Robert Lighthizer.

O governo americano não é contra propriamente o acesso do Brasil. Só teme o inchaço da OCDE, vendo o risco de torná-la inoperante, e defende uma ampliação bastante gradual. Nesse caso, a preferência clara na América do Sul tem recaído sobre a Argentina, que pediu antes sua entrada na entidade, embora tenha um grau de conformidade com convenções e práticas da OCDE muito aquém dos níveis já obtidos pelo Brasil

 

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