Grandes definem estratégias para redes privadas

Valor Econômico
29/09/2020

Por Genilson Cesar

Teles oferecem soluções para indústrias 4.0 e empresas de energia, mineração, óleo e gás e transporte

O movimento para aplicação da tecnologia 5G no Brasil é acompanhado de perto pelas empresas brasileiras, mas o leilão das novas faixas de frequência, previsto para o próximo ano, não faz parte das perspectivas de investimentos das grandes corporações.

O Grupo Bosch, por exemplo, uma indústria de tecnologia e serviços, que emprega cerca de oito mil pessoas e registrou, em 2019, um faturamento líquido de R$ 5,2 bilhões, tem interesse em utilizar redes privadas 5G, assegura Besaliel Botelho, presidente da Robert Bosch América Latina. “Mas as faixas que a Bosch pretende ocupar são aquelas dedicadas a redes privadas (faixa de 3,7-3,8 GHz), que não vão, a priori, fazer parte do leilão”, diz.

Segundo Botelho, o modelo de participação no 5G, se por meio de parceiros ou fornecedores, ainda é um ponto em aberto, especialmente porque a regulamentação e as regras de uso ainda não foram definidas pelo governo. “O certo é que estamos dispostos a participar desse movimento de implantação de redes locais privadas, pois elas possibilitarão um uso eficiente e efetivo dos espectros de radiofrequência, configurando um fator de sucesso para os diferentes setores em que atuamos.”

A Neoenergia, empresa controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, investiu na construção de uma rede 4G LTE (Long Term Evolution, em português Evolução de Longo Prazo) privada para o setor de distribuição de energia elétrica no Brasil, como parte do projeto Energia do Futuro, que vem implantando de um novo modelo de rede elétrica inteligente baseado em automação e inovação. “Mas o leilão da Anatel em 2021 não está no nosso radar de investimentos”, diz Heron Fontana, superintendente de smart grids da Neoenergia.

“Trabalhamos junto à Anatel pela adoção de um modelo que permita licenciar uma frequência privada para uso de serviços limitados pela empresa”, diz ele. Segundo Fontana, as empresas distribuidoras de energia elétrica esperam conseguir sensibilizar a Anatel a adotar uma regulamentação nesse sentido. “Isso vai beneficiar não só empresas de energia, mas também os vários setores que operem com serviços de missão crítica, como saneamento e órgãos públicos da área de segurança, além de grandes companhias de áreas de mineração, siderúrgicas e do agronegócio”, afirma Fontana.

A Vale, segunda maior mineradora mundial, acompanha com muito interesse o assunto do leilão do 5G no Brasil, destaca Gustavo Vieira, CIO da empresa. “Acreditamos que a tecnologia 5G tem grande potencial para alavancar a indústria 4.0, trazendo mais segurança para as pessoas e para os processos, além de aumentar a produtividade”, diz ele. A companhia tem interesse em gerir faixas de frequência de uso privativo que forem reservadas no leilão e também está desenvolvendo parcerias com empresas do mercado para ampliar sua conectividade.

“No ano passado fechamos um contrato com a Vivo para implantar a primeira rede 4G/LTE privada do país, em um investimento de cerca de R$ 21 milhões, que pode ser facilmente escalável para 5G”, informa. “Estamos usando essa tecnologia para conectar, por exemplo, caminhões fora de estrada autônomos, que funcionam sem operador na cabine, e instrumentos de monitoramento de barragens”, conta.

As operadoras de telecom se movimentam para apoiar as estratégias das empresas para o desenvolvimento de redes privadas, indica Paulo Humberto Cerchi Gouvêa, diretor de soluções corporativas da TIM. “Temos soluções de redes privadas 4G, independentemente da chegada do 5G, a várias indústrias 4.0 e empresas de energia, mineração, óleo e gás, transporte, operações portuárias, além de companhias do agronegócio, setor em que a operadora se destaca com mais de cinco milhões de hectares cobertos”, diz.

 

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