Governos têm medo do avanço do vírus no Brasil

Valor Econômico
14/05/2020

Por Assis Moreira e Cibelle Bouças

Enquanto a América do Norte, Europa e Ásia se movem para retomar o transporte aéreo, na América Latina governos estendem medidas de restrições e “ a razão é o Brasil”, segundo Peter Cerdá, vice-presidente para as Américas da Iata, associação que reúne cerca de 300 companhias aéreas no mundo. “A razão de estender (as restrições) por alguns países é pelo medo do que há no Brasil, de (número de) casos subindo”, disse o executivo ontem ao Valor.

“O Brasil pode reativar (as operações), mas os vizinhos, os Estados Unidos, podem restringir os voos do Brasil por (acharem) que não há uma boa coordenação, porque o Brasil não estaria cumprindo com certas obrigações internacionais”, disse Cerdá.

A Iata convidou o Brasil para integrar um grupo de 20 países para implementação de medidas internacionais, “porque o vemos como país importante na região e porque tem conectividade a nível mundial”. Ele nota que nos primeiro seis a oito meses da retomada dos voos, o setor aéreo vai precisar dar confiança aos cidadãos para poderem viajar dentro e fora do país. Ou seja, “os brasileiros e os estrangeiros não viajarão se eles não se sentem confortáveis de que não foram tomadas as medidas necessárias de que os riscos de contágio são mínimos”’.

No Brasil, o número de infectados e mortos vem subindo e o presidente Jair Bolsonaro continua minimizando e atuando contra orientações internacionais na área da saúde.

Na América Latina, somente três países mantém voos domésticos e internacionais: Brasil, México e o Chile com algumas restrições. No Brasil, só entre 7% e 9% a malha continua operando.

“Muitas companhias internacionais já disseram que, quando se reativem as operações, a linha aérea vai ser menor, mais concentrada e mais conservadora”, disse.

Na avaliação da Iata, em 2025, o setor aéreo global ainda será 10% menor do que era no ano passado. A previsão leva em conta projeções para a economia global feitas recentemente pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O economista-chefe da Iata, Brian Pearce, disse ontem que o setor aéreo apresentou nos últimos anos um desempenho um pouco abaixo da economia global. “Essa defasagem no ritmo de crescimento do setor deve permanecer após a pandemia”, disse o executivo.

A Iata estima que o setor aéreo irá se recuperar primeiro no segmento de voos domésticos e, mais tarde, em voos internacionais. A associação estima que o mercado de voos domésticos não voltará aos níveis de 2019 antes de 2022. A recuperação do mercado de voos internacionais virá depois disso.

Pearce observou que ainda não existe uma padronização nas medidas de segurança sanitária adotada nos diferentes países para reduzir os riscos de contaminação nos aeroportos e durante os voos. A falta de padrão é um fator que inibe os consumidores a voltar a voar.

Poucas companhias aéreas no mundo podem seguir operando na situação atual, observou Cerdá. As empresas têm em geral entre dois e três meses de liquidez. Até o momento, na América Latina, apenas a Avianca Holdings pediu proteção contra credores. Os governos de Brasil, Colômbia, Chile estão socorrendo o setor. No México, a ajuda está pendente.

 

 

 

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