Fundos multimercados são a bola da vez. O que saber deles

Estadão
20/12/2019

Por  Regina Pitoscia

Nesse momento em que a renda fixa paga uma ninharia, quer queira, quer não, o aplicador é empurrado para a renda variável se quiser obter uma remuneração diferenciada. Com isso, os fundos multimercados passaram a ganhar destaque e a ser cada vez mais badalados.

Pode até parecer algo novo para muita gente, que começou a ouvir falar desses fundos somente agora quando os juros despencaram e a renda fixa deixou de proporcionar o retorno desejado. Mas há um histórico deles que deve ser considerado pelo investidor na hora de decidir onde empregar o dinheiro.

Os multimercados parecem contar com um horizonte promissor, evidentemente com um grau de risco maior. Risco de oscilações, que podem resultar tanto em ganhos, mas também em perdas. Por isso, os recursos que vão para essas aplicações não podem ter data para sair. O raciocínio é simples, se precisar sacar em um momento de queda do mercado, o aplicador terá de amargar perdas.

Colocar o dinheiro que pode ser mantido por mais tempo tende a reduzir as ameaças de prejuízo, porque eventuais quedas poderão ser compensadas com novas altas. Na renda variável, o dano só é concretizado quando o investidor sai definitivamente do mercado.

Outra forma de minimizar riscos de uma aplicação em fundos de renda variável, para quem não está acostumado com esse tipo de aplicação, é procurar ter informações sobre quem são seus gestores, quem está por trás da administração e sobre a consistência de seu desempenho ao longo do tempo.

É bem verdade que rentabilidade passada não é garantia de rendimento futuro, mas também não é possível desprezar os bons resultados que um fundo tenha apresentado durante anos se o objetivo é saber quem é quem nesse mercado.

Alguns fundos chamam a atenção com sua trajetória, e um deles é o Logos Total Return FIC Fim, que está no topo do multimercado mais rentável deste ano, mas que já vem de boa performance desde o seu início, em 2011. (Veja tabela abaixo).

Seu desempenho acumulado em 2019, de janeiro até 18 de dezembro, está em 102,5%, e só em novembro a valorização de suas cotas foi de 6,17%. Esse fundo conta com mais de 2 mil cotistas e um patrimônio superior a R$175 milhões. Por ser um ‘total return’, o repasse de ganhos ou perdas dos ativos, que compõem a sua carteira, ao cotista é integral.

Ricardo da Cruz Gouveia Vieira, sócio e diretor de Operações da Logos Capital, uma gestora independente de fundos, explica que o Total Return Fic Fim mescla as aplicações nos mercados de ações, moedas, juros e commodities. “O miolo da carteira é composto de ações e responde por 85% do rendimento, os 15% restantes estão distribuídos em juros, moedas e commodities”.

“Somos e queremos ser reconhecidos como uma casa de ações”, diz Ricardo. A equipe, com muitos anos de expertise no mercado acionário, além de se apoiar em análises macros, que identifiquem e antecipe ciclos econômicos, e estudo fundamentalista dos papeis – condições financeiras das empresas, perspectivas do setor em que atua, perspectivas de crescimento – criou uma disciplina de se desfazer do papel no momento que considera o mais preciso.

É uma política que os gestores chamam de “desinvestimento”, em que tão ou mais importante que identificar a hora de comprar é saber a hora exata de vender o papel. “É preciso ter o desapego”, diz Pedro Luiz Guerra, o presidente da Logos. Ele esclarece que muitas vezes é necessário se desfazer da ação quando ela ainda está se valorizando, o que é uma decisão difícil e até pode parecer uma contradição.

Guerra conta que foi assim, por exemplo, com ações da Rumo Logística, que oferece serviços de transporte ferroviário, em portos e de armazenagem, e da Sabesp, de saneamento básico de São Paulo. No momento da venda, embora os papeis contassem ainda com potencial de alta, os gestores identificaram fatores que poderiam futuramente interferir no preço das ações.

 É um movimento que se antecipa ao do mercado, mesmo assim tem de haver aí uma boa de coragem para retirar da carteira um ativo que está se valorizando em busca de outras ações que contam com perspectivas tão boas ou ainda melhores das que foram vendidas. O fato é que essa estratégia, aliada à preocupação com a liquidez e a diversificação dos ativos, vem colocando os fundos da Logos entre os que proporcionam um retorno bem interessante ao aplicador.

O Total Return aceita aplicações a partir de R$ 10 mil e movimentações seguintes a partir de R$ 1 mil, cobra taxa de administração de 2% ao ano e uma taxa de performance de 20% sobre o que exceder o CDI (taxa praticada nas operações entre bancos e fica ligeiramente abaixo da Selic que, por sua vez, está em 4,5% ao ano).

O outro multimercado da gestora, o Logos Long Biased Fic Fim apresenta uma alta de 75% do começo do ano também até o dia 18. Esse fundo é mais recente, iniciou suas operações em 28 de dezembro do ano passado. A aplicação mínima é de R$ 10 mil, e as movimentações seguintes a partir de R$ 5 mil. A taxa de administração também é de 2% ao ano e a de performance, de 20% sobre o que exceder o CDI.

Para poder aplicar no Long Biased, o investidor precisa se autodeclarar “qualificado”, quer dizer, ter um total investido no mercado financeiro a partir de R$ 1 milhão. Uma norma da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que parece ter a intenção de proteger os que não são familiarizados com os mercados de risco, mas que acaba impedindo o acesso do pequeno e médio investidor aos produtos financeiros diferenciados.

 

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