Escola de Saneamento conclui primeira turma de curso sobre normas IFRS S1 e S2

A Escola de Saneamento, iniciativa da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe)  e da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), voltada à capacitação técnica e ao fortalecimento institucional das companhias associadas à Aesbe, concluiu a primeira turma do curso sobre as normas IFRS S1 e IFRS S2, com participação de 48 profissionais do setor. Clique aqui e saiba mais sobre a Escola de Saneamento.

Publicadas em 2023 pelo International Sustainability Standards Board (ISSB) da IFRS Foundation, as normas IFRS S1 (Requisitos Gerais para Divulgação de Informações Financeiras relacionadas à Sustentabilidade) e IFRS S2 (Requisitos para Divulgação de Informações Relacionadas ao Clima) constituem o primeiro padrão global de reporte financeiro em sustentabilidade. No Brasil, as normas foram adotadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por meio da Resolução nº 193/2023 e passarão a ser obrigatórias a partir de 2026, com a divulgação dos primeiros relatórios em 2027. 

O curso teve como foco o arcabouço conceitual e normativo que sustenta a integração entre contabilidade financeira e sustentabilidade, abordando a transição para um modelo de reporte corporativo orientado ao valor empresarial de longo prazo, à gestão de riscos climáticos e à transparência para investidores. Também foram discutidas as conexões entre as normas IFRS S1 e S2 e os pronunciamentos do IASB, além das interfaces com frameworks internacionais como TCFD, GRI, SASB e CDSB, evidenciando a convergência para um padrão global unificado de divulgação. 

Segundo o curador técnico da Escola de Saneamento da Aesbe, Antonio Miranda, a estruturação do curso partiu de uma demanda concreta das companhias associadas. “O curso foi inteiramente construído a partir de uma solicitação da Câmara Técnica de Contabilidade e Finanças da Aesbe, que identificou a necessidade dessa capacitação e indicou instrutores de renome nacional. O conteúdo programático foi proposto por esses instrutores e validado não apenas pela Câmara demandante, mas também pela Câmara Técnica de Gestão Ambiental e pela Câmara Técnica de Recursos para Investimentos e Financiamentos”, explicou. 

Com uma abordagem voltada à aplicação prática imediata, o curso tratou do impacto das incertezas climáticas sobre a contabilidade e os relatórios financeiros, incluindo temas como IAS 1, IAS 37, IFRS 7, análise de relatórios de sustentabilidade corporativa, créditos de descarbonização (OCPC 10) e práticas de reporte integrado. Os participantes desenvolveram competências para interpretar, elaborar e auditar relatórios alinhados à convergência entre as normas do ISSB, do IASB e dos padrões regulatórios ambiental-financeiros emergentes. A capacitação conta ainda com registro no Conselho Federal de Contabilidade (CFC). 

De acordo com Antonio Miranda, a avaliação do curso pelos participantes foi extremamente positiva. “Os técnicos compreenderam claramente como colocar em prática as exigências das normas IFRS S1 e S2. Trata-se de uma norma que já está em vigor e cujo cumprimento será obrigatório a partir de 2026. Nesse sentido, o curso foi considerado extraordinariamente importante e fundamental para que as companhias consigam atender às exigências regulatórias de forma consistente”, destacou. 

Para o coordenador da Câmara Técnica de Recursos para Investimentos e Financiamentos (CTRIF) da Aesbe, Elias Evangelista, a capacitação ocorre em um momento decisivo para o setor. “O ano de 2026 será marcado por grandes mudanças no saneamento, com a reforma tributária, novas normas de regulação e de contabilidade societária, somadas às exigências de sustentabilidade e clima. O setor demanda investimentos de muitos bilhões de reais e depende da captação de recursos no mercado financeiro. Para isso, os investidores precisam de segurança e transparência”, afirmou. 

Segundo Elias Evangelista, a formação em normas de sustentabilidade contribui diretamente para a conformidade regulatória, a gestão de riscos climáticos, a inovação, o fortalecimento institucional e o impacto socioeconômico positivo do setor. “A capacitação permite transformar riscos em oportunidades, impulsionar soluções de economia circular, preencher lacunas de competências e posicionar o saneamento como um pilar de resiliência e sustentabilidade no Brasil”, avaliou.

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