Economia circular e sustentabilidade

Portal Saneamento Básico
25/11/2020

O ano de 2020 tem reforçado, com muita intensidade, que já não é mais viável  investirmos em soluções que não beneficiem o meio ambiente e que não caminhem lado a lado com os novos conceitos de sustentabilidade.

Modelos econômicos de implantação de sistemas baseados simplesmente em uma análise financeira de baixo custo, para simplesmente buscar, por exemplo, a emissão de uma licença em determinado órgão ambiental não fazem sentido e ainda acabam por trazer enormes problemas operacionais e prejudicar a imagem das empresas.

Porém, a boa notícia é que a economia circular, conceito que aposta na reutilização e reciclagem de materiais e produtos, e diminuição do desperdício, está sendo cada vez mais utilizada e tem se provado uma ótima alternativa para todos os lados.

Além de reduzir o uso da matéria-prima, ela ajuda a desenvolver uma conscientização sobre o reúso de insumos e resíduos, que antes seriam apenas descartados, fazendo com que eles retornem à economia como novos produtos. Simples e eficazes, seus três princípios centrais são: a eliminação dos resíduos e poluição,  a manutenção de produtos e insumos em ciclos de uso por meio da reutilização, e a regeneração de sistemas naturais.

Mas para que a economia circular funcione perfeitamente, precisa ser aderida por toda a sociedade, desde indústrias e distribuidores até os vendedores e consumidores, que, por meio do descarte correto, auxiliam no tratamento e reinserção dos resíduos no ciclo produtivo utilizando-os como matéria-prima.

Investimento das Empresas

Entre as ações que contribuem para o sucesso e disseminação da economia circular está o investimento por parte das empresas no tratamento e reúso de águas e efluentes. Apesar de ser um recurso essencial para manutenção dos ecossistemas, a água é amplamente utilizada e descartada pelas indústrias e empreendimentos urbanos.

Dados alarmantes mostram que, no Brasil, a maior parte dos efluentes industriais e esgotos domésticos/sanitários gerados são lançados diretamente em corpos d’água sem nenhum tipo de tratamento.

Diversas frentes e avanços relacionados a leis, normas e instruções técnicas sobre reúso estão em discussão e implementação em grande parte do País. Contudo, ainda é fato que atualmente o Brasil ainda não possui diretrizes sólidas e incentivos que possam transformar o reúso como um processo mais efetivo nas indústrias e cidades.

Há um imenso desafio de adotar medidas práticas que respeitem as leis e as normas, e reduzam a quantidade de descarte e emissões de resíduos para o meio ambiente. É preciso envolver diversas formas de utilização dos recursos hídricos, mostrando seriedade quanto a postura ambiental. É uma atitude que se reflete em diferencial competitivo para a indústria, com a melhoria da imagem junto ao mercado e otimização de resultados.

Soluções Sustentáveis 

Uma pesquisa de 2019 realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que 76,5% das indústrias investem em alguma iniciativa de economia circular. As principais atividades listadas pelos entrevistados são a otimização de processos (56,5%), o uso de insumos circulares (37,1%) e a recuperação de recursos (24,1%). Além disso, 88,2% dos respondentes do levantamento qualificaram a economia circular como importante ou muito importante para a indústria brasileira.

À primeira vista, pode parecer desvantajoso para as empresas a adoção dessas soluções já que isso implica em um investimento maior com processos de reciclagem. Porém, em um prazo não tão longo assim, os ganhos se mostram muito maiores, já que há reaproveitamento de diversos resíduos que seriam simplesmente jogados fora. Sem contar com o ganho que estas ações geram para a reputação da empresa.

Ainda há um longo caminho a percorrer até que a economia circular seja de fato adotada por todos, mas não podemos desistir. O futuro da humanidade depende de nós, seres humanos, e precisamos diminuir os impactos negativos de nossas ações na natureza e permitir que ela se recupere de todos os danos causados até agora.

Fonte: Diário do Comércio.

 

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