Dólar volta a R$ 4,35 com exterior

Valor Econômico
19/02/2020

Por Marcelo Osakabe, Victor Rezende, Marcelle Gutierrez e Ana Carolina Neira

Temor com efeito do coronavírus na economia real derruba ações da Vale e Ibovespa

Os efeito s da epidemia do Covid-19 na economia real voltaram ao radar dos investidores em todo o mundo, provocando uma corrida em busca da proteção do dólar e a venda de ações de mercados emergentes. No Brasil, o sinal do exterior se traduziu em um novo dia de desvalorização do câmbio, agora em R$ 4,35, enquanto a perda do Ibovespa foi puxada, em boa parte, pela queda de ações sensíveis ao preços de commodoties, como a Vale.

O dólar comercial fechou em alta de 0,64%, aos R$ 4,3568, perto da máxima na sessão de R$ 4,3613. O nível intradiário foi o maior desde os R$ 4,3830 registrados na última quinta, quando o Banco Central anunciou uma intervenção surpresa no câmbio.

Já o Ibovespa registrou baixa de 0,29%, aos 114.977 pontos. Ao longo do dia, entretanto, chegou a recuar 1,54% na mínima de 113.532 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 15,3 bilhões.

Duas notícias direcionaram os mercados desde os primeiros minutos de negociação. De um lado, a Apple anunciou que não deve cumprir a meta de receita do trimestre por causa da queda esperada na demanda chinesa e também por problemas de oferta do iPhone, que poderá sofrer restrições por causa da paralisação na China.

Além disso, o índice Zew de expectativas econômicas, um dos principais indicadores antecedentes da Alemanha, despencou, passando de 26,7 para 8,7 pontos em fevereiro. O dado da principal economia da zona do euro levou a moeda do bloco a romper o suporte dos 1,08 por dólar, a primeira vez que isso ocorre desde abril de 2017. Já o índice DXY da ICE avançava 0,46%, aos 99,46 pontos, no fim da tarde.

“Estamos vendo os primeiros impactos do coronavírus sobre indicadores econômicos importantes”, diz Victor Candido, gestor da Journey Capital.

O BNP Paribas, inclusive, reduziu a projeção do PIB mundial de 3% para 2,6% e do Brasil de 2% para 1,5% em 2020. Em relação à política monetária, os economistas do BNP esperam, ao longo do ano, novos cortes no juro básico e projetam a Selic a 3,5% no fim do ano. De acordo com o banco, o impacto da epidemia do Covid-19 sobre o crescimento mundial será maior do que muitos analistas estimam no curto prazo.

Ao longo do pregão, as ações da Vale sentiram o peso das preocupações com a epidemia. A mineradora tem a China como principal comprador de seu minério de ferro e pode ser afetada com os indícios cada vez mais reais da desaceleração da economia daquele país. Vale ON atingiu a mínima de R$ 52,12, uma queda de 2,4%, mas fechou com recuo menos expressivo, de 1,14%. O minério de ferro também interrompeu a dinâmica de cinco sessões de alta e caiu 0,33%, a US$ 90,18 por tonelada.

Com o aumento dos riscos para a economia global, voltam ao foco as perspectivas de medidas adicionais de estímulo ao redor do globo, o que levou a curva de juros futuros a uma forte retirada de prêmio de risco na última semana, junto à sinalização do Banco Central de uma Selic em níveis baixos por um período prolongado. Ontem, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 se mantinha inalterada em 4,22%, enquanto a do DI para janeiro de 2022 passava de 4,71% no ajuste anterior para 4,72%.

 

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