Crescimento que está começando agora não é voo de galinha, diz Guedes

Valor Econômico

Por Ana Conceição e Cristiane Agostine – São Paulo
10/10/2019

Para o ministro da Economia, o mundo está entrando numa clínica de reabilitação, enquanto o Brasil está saindo

O governo tem feito reformas e destravado setores de forma acelerada e com o apoio do Congresso, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, na abertura do Fórum de Investimentos Brasil 2019, em São Paulo, nesta quinta-feira.

“Temos feito reformas [em tempos] recordes, estamos acertando o pacto federativo, acertamos a cessão onerosa. O Congresso é maduro e está apoiando as reformas em bases temáticas e orgânicas”, afirmou.

Segundo Guedes, o Brasil vive um aumento do ritmo de crescimento da economia e de queda da inflação por causa da orientação liberal do governo.

“O crescimento que está começando agora é sustentável. Não é uma bolha estimulada artificialmente, não é voo de galinha. É a primeira vez que a inflação desce com o crescimento re-acelerando. Temos uma das inflações mais baixas desse período [últimos 30 anos].”

De acordo com o ministro, o mundo está entrando numa clínica de reabilitação, enquanto o Brasil está saindo, ao mesmo tempo em que oferece oportunidades a investidores estrangeiros em várias áreas, como petróleo e gás.

Segundo Guedes, já há sinais por “toda a economia” de que o crescimento econômico, após três anos de estagnação, já começou. “O crescimento já começa na construção civil e no varejo

“Estamos acelerando as reformas, agora vamos fazer a tributária, graças à visão de uma nova política baseada em valores e temas”. Um dos próximos passos da agenda será a independência do Banco Central. “Estamos indo em direção a um Banco Central independente, já trabalha assim há algum tempo. É uma instituição que se aperfeiçoou ao longo dos últimos anos”, disse Guedes.

O ministro também estima que, possivelmente em duas semanas, vai ser aprovado o marco regulatório do saneamento, com potencial para estimular “bilhões em investimentos.”

“O Brasil não pode ser considerado civilizado se há crianças morrendo por falta de água e esgoto”, disse.

Segundo ele, os eixos de atuação do BNDES serão, a partir de agora, o saneamento, privatizações, concessões e reestruturação de Estados e municípios. “Estamos desalavancando bancos públicos e procurando suas vocações”, disse.

O ministro frisou que o governo busca um “fast track” para acelerar as privatizações. “Não estamos satisfeitos com o ritmo das privatizações”, afirmou.

“Modelo dirigista”

Segundo o ministro, o Brasil vinha aperfeiçoando suas instituições nos últimos anos, mas caminhava “na direção errada” do ponto de vista econômico.

“A democracia estava entorpecida pelo modelo dirigista, o mesmo que destruiu várias economias no entorno”. O presidente Jair Bolsonaro fez uma inversão nessa direção, afirmou Guedes.

Citando a Venezuela, o ministro iniciou seu discurso dizendo que o Brasil evitou o “modelo que destruiu várias economias” e que o governo está “regenerando as instituições democráticas”.

Segundo ele, o Brasil passa por uma “revolução” liberal democrata. “Estamos indo em direção à liberal-democracia. É uma nova dinâmica, expandimos espaço democrático. Houve redução do espaço democrático da social-democracia”, disse.

“Imaginem se os Estados Unidos tivessem só democratas. Se a Inglaterra tivesse só trabalhistas, a Alemanha só social democratas”, afirmou Guedes.

Ele emendou que, em sua visão, as maiores reconstruções econômicas do pós-guerra foram lideradas por liberais-democratas.

 

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