Crédito cresce 16% apesar de pandemia

Valor Econômico
29/01/2021

Por Estevão Taiar e Alex Ribeiro

Para 2021, expectativa é de desaceleração das concessões e alta da inadimplência

Influenciado pelas medidas implantadas durante a pandemia, o crédito encerrou 2020 com crescimento forte e disseminado. Neste ano, a tendência é que a expansão continue, mas com menos força, segundo economistas. Eles também alertam para a importância de monitorar o provável crescimento da inadimplência em 2021.

No ano passado, o estoque de crédito o Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 15,5%, atingindo pela primeira vez a marca de R$ 4 trilhões, segundo o Banco Central (BC). A expansão foi registrada nos créditos livre (15,2%), direcionado (15,9%) e para pessoas jurídicas (21,8%) e físicas (10,9%).

“Tivemos um ano muito marcado pela pandemia, recessão econômica e medidas governamentais”, disse a jornalistas o chefe do departamento de estatísticas do BC, Fernando Rocha.

Com o objetivo de combater os efeitos econômicos da pandemia, o governo federal criou uma série de linhas emergenciais de crédito, como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e o Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (Peac). Além disso, permitiu que pessoas físicas adiassem o pagamento de parcelas de empréstimos, por exemplo.

Todas essas medidas ajudaram a levar a inadimplência para o menor patamar da história: 2,1% em dezembro. Para as pessoas físicas e jurídicas, por sua vez, o índice ficou em 1,2% e 2,8%, respectivamente. “Isso está pelo menos parcialmente impactado pelas renegociações e prorrogações de dívida”, afirmou.

“A questão que fica [para 2021] é a inadimplência”, diz Nicola Tingas, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). Ele afirma que, com a segunda onda da pandemia, a lentidão da vacinação em massa e o fim do auxílio emergencial, “é provável que a economia tenha um desempenho fraco no primeiro semestre”. Tingas lembra que a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), por exemplo, já vem alertando para os impactos econômicos das novas restrições de mobilidade sobre o setor. Por isso, ele sugere que a “ponte financeira” implantada para socorrer a economia em 2020 seja “em parte estendida” no começo de 2021.

Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, “inadimplência tende a ser um grande problema neste ano”. “As pessoas desconsideraram muito o crescimento forte de consumo de bens via crédito no ano passado, especialmente de eletrodomésticos e eletroeletrônicos”, diz. Ele lembra que o próprio BC publicou em um Relatório Trimestral de Inflação um estudo que mostrava “forte crescimento” do uso de boletos entre a população de baixa renda em 2020.

Outro fator destacado pelo economista é a alta dos empréstimos consignados para aposentados. Muitas vezes esse grupo é a principal fonte de renda da família, principalmente com a elevação do desemprego, usando esse crédito “para manter a renda corrente”.

“Os bancos já estão provisionando [recursos] e se precavendo para esse crescimento contratado [da inadimplência]”, afirma.

Economista da 4E Consultoria, Bruno Lavieri também espera alta da inadimplência neste ano, mas não para “níveis alarmantes”, dada a baixa base de comparação. “Sabemos que os bancos não foram displicentes nas análises de crédito. Dificilmente haveria uma alta da inadimplência que gerasse alguma preocupação mais ampla.”

O próprio presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou nesta semana que a autoridade monetária vem debatendo a possibilidade de implantar novamente em 2021 algumas das medidas de crédito do ano passado.

Para este ano, a equipe econômica do Banco Safra espera crescimento mais lento do crédito, “à medida que o término dos programas criados pelo governo para mitigar os efeitos da crise causada pela pandemia se materializar”.

O BC também calcula que a expansão do crédito em 2021 será menor, com alta de 7,8%. A projeção é de crescimento para os créditos livre (11,1%), direcionado (3,3%), pessoas físicas (10,6%) e pessoas jurídicas (4,2%)

 

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