Corsan pode ser primeira privatizada do setor

Valor Econômico
Por Taís Hirata

04/06/2021

Companhia gaúcha de saneamento prepara IPO, com perda de controle do Estado

O modelo final da privatização da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) deverá ficar pronto ainda neste mês. O plano é fazer uma oferta inicial pública de ações (IPO, na sigla em inglês) com perda do controle acionário do Estado. Ainda faltam algumas definições, por exemplo, qual será a fatia do governo ao fim da operação, explica o presidente, Roberto Barbuti. Porém, a ideia é enviar o projeto de lei já nas próximas semanas.

Caso o processo tenha sucesso, a Corsan será a primeira empresa pública de saneamento a ser privatizada no país. Hoje, outras três companhias têm ações negociadas na Bolsa – a Sabesp (SP), a Copasa (MG) e a Sanepar (PR) -, mas em todas elas o Estado segue como controlador. “A ideia é tirar as amarras burocráticas às quais as companhias de capital misto ainda estão submetidas”, diz ele.

Para isso, ainda será preciso a aprovação do projeto de lei com os termos do IPO. Na terçafeira, o governo teve uma sinalização positiva da Assembleia Legislativa, que aprovou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) retirando a obrigatoriedade de plebiscito para a venda de algumas estatais, entre elas, a Corsan.

A previsão é realizar a oferta “na virada do ano”, segundo Barbuti. Recentemente, o BNDES, que atua na estruturação, avaliou que o projeto deve ficar para o primeiro trimestre de 2022.

O presidente da estatal enxerga ainda três desafios pela frente. O primeiro deles é político, já que será necessário obter aval dos deputados. O segundo será a negociação com os municípios. Pela nova lei do saneamento, todos os contratos vigentes devem passar por adaptações para incluir as novas exigências. Em caso de privatização, a norma permite também outras mudanças nos termos dos contratos – inclusive a prorrogação dos prazos.

Por fim, há o desafio de fortalecer a regulação do Estado. “A Corsan não tem histórico de problemas com as agências, mas ainda há trabalho pela frente”, afirma.

O executivo se diz confiante no processo e vê um momento favorável no mercado para a oferta. “A Corsan tem elementos de um ‘turnaround’ [processo de reestruturação interna e melhora dos resultados]. A precificação vai depender do grau de confiança em relação ao plano de investimentos e ao pontencial de ‘unlock value’ [destravar valor]”, diz ele.

Para atender às metas do novo marco legal, que prevê a universalização dos serviços até 2033, a Corsan terá que investir cerca de R$ 10 bilhões, o que significa triplicar o ritmo de obras atual.

A Corsan opera em 317 cidades gaúchas, com cerca de seis milhões de habitantes. O índice de universalização de água é de 96,7%, e o de esgoto é de 16,3%. Em 2020, a empresa faturou R$ 3,15 bilhões, alta anual de 10,7%, e teve lucro líquido de R$ 1,8 bilhão, resultado cinco vezes maior que em 2019.

 

 

 

 

 

 

 

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