Companhia gaúcha de saneamento avalia abrir capital em 2020

Por Taís Hirata – Valor Econômico

16/08/2019 – 05:00

A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) tem uma meta de abrir seu capital até o fim de 2020, afirmou ao Valor o diretor-presidente da empresa gaúcha, Roberto Barbuti.

“Estamos preparando o terreno. Vamos mudar o auditor da companhia e estamos trabalhando em uma série de medidas para elevar a eficiência da empresa, para capturar mais valor e dar mais atratividade do negócio. Estamos mirando o fim do ano que vem como momento da abertura, mas não existe uma data cravada”, disse o executivo, que assumiu o cargo há três meses, após quase 30 anos de experiência em bancos e consultorias.

A companhia vai assinar nos próximos dias acordo de parceria com o BNDES, que irá contratar empresas para estruturar a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) e também para realizar a modelagem de Parcerias Público-Privadas (PPPs) de regiões atendidas pela Corsan.

O primeiro projeto do gênero, a PPP da região metropolitana de Porto Alegre, terá seu edital lançado hoje, após anos de estudos e atrasos em negociações – a consulta pública foi realizada em 2017. “A parceria envolve nove municípios, e foi fruto de muita discussão e votação parlamentar em cada um deles. Uma das cidades, Canoas, aprovou há um mês, o que possibilitou o lançamento”, afirmou Barbuti.

O projeto é um dos maiores já licitados no setor: ao todo, estão previstos R$ 1,86 bilhão de investimentos e até R$ 9,6 bilhões de pagamentos ao vencedor, ao longo dos 35 anos de contrato – no modelo das PPPs (as chamadas concessões patrocinadas), o poder público faz repasses mensais à empresa privada. A intenção do governo é ampliar a cobertura de esgoto nos municípios dos atuais 32% para 87%, em dez anos.

O leilão está previsto para ocorrer no dia 29 de novembro, na B3, em São Paulo, com entrega de propostas no dia 25 de novembro. O vencedor será aquele que oferecer o maior desconto nas contraprestações mensais pagas pelo poder público.

Um dos grandes temores de investidores em relação a PPPs atualmente é a capacidade do poder público de honrar os pagamentos no longo prazo, principalmente diante da atual crise fiscal. No caso da PPP, a própria Corsan entrou como garantidora. “A companhia é uma contraparte com solidez”, diz o presidente.

A versão final do edital trouxe mudanças em uma das cláusulas que vinha gerando preocupação nos investidores, referente à exigência de um tempo fixo de “lock up”, que impede, por um período, que os vencedores vendam sua participação.

Agora, os investidores terão que cumprir metas de investimento antes de poder sair da PPP – de 50% do valor total, para as companhias em geral, e de um terço, no caso de fundos de investimento.

Para analistas, o projeto deverá atrair forte concorrência. O grupo Águas do Brasil já manifestou que tem “muito interesse” em participar do leilão e que seus executivos já têm conversa agendada com a equipe técnica da Corsan na próxima semana. A GS Inima afirmou que está estudando o projeto. A Aegea, que está em fase de consolidação de duas importantes concessões adquiridas recentemente, tem dito que participar de novas concorrências não é o foco no momento, mas está acompanhando as oportunidades. Outras empresas que atuam no país não comentaram.

A previsão da Corsan é estruturar outras quatro ou cinco PPPs nesse modelo até o ano que vem. As novas parcerias ainda serão estruturadas com apoio do BNDES, mas uma delas deverá ser voltada à região da Serra Gaúcha, segundo Barbuti.

Além dos projetos de desestatização, o presidente planeja medidas para aumentar a eficiência e melhorar a gestão da empresa. Ele contratou um grupo de tecnologia de informação para reestruturar o sistema de gestão e planeja realizar um leilão reverso de geração elétrica, para reduzir os gastos de energia. Um Plano de Demissão Voluntária também será avaliado pela nova gestão. “Queremos mudar processos internos e dar mais foco nos resultados e em eficiência”, diz ele.

O trabalho deverá ser duro. Em 2018, a geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve queda de 19% em relação ao ano anterior, para R$ 472,6 milhões. O lucro líquido diminuiu 23,7%, para R$ 292 milhões no ano. Ao mesmo tempo, os custos operacionais, administrativos e comerciais do grupo subiram 11,9%.

Em relação ao projeto de lei que altera o marco regulatório do saneamento, em tramitação no Congresso, o executivo diz que defende parcerias com o setor privado para viabilizar investimentos, em um momento no qual os Estados enfrentam dificuldades fiscais. No entanto, ressalta que é preciso preservar a saúde das estatais do setor.

“A mudança na lei é fundamental, mas é preciso ter cuidado. A abertura ao setor privado não pode ser feita prejudicando demais a situação das companhias públicas. É preciso criar um sistema saudável para todos”, afirmou Barbuti.

 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

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