Encontro promovido pelo Núcleo Clima e Saneamento da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e apoiado pela Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento, debateu desafios, financiamento e estratégias para tornar o saneamento mais resiliente às mudanças climáticas.
O avanço das mudanças climáticas já deixou de ser uma preocupação futura para se tornar um desafio concreto, cada vez mais urgente, para o saneamento no Brasil. Diante desse cenário, especialistas, gestores públicos e representantes do setor se reuniram em São Paulo para discutir como tornar os serviços mais resilientes, sustentáveis e preparados para eventos extremos, durante o seminário “Clima e Saneamento: Sustentabilidade, Adaptabilidade e o Financiamento para o Setor”.
Promovido pelo Núcleo Clima e Saneamento da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), com apoio da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe), o encontro ocorreu em formato híbrido nesta terça-feira, 5 de maio, no auditório da instituição, em São Paulo e foi transmitido ao vivo pelo YouTube. A Aesbe também teve participação ativa nos debates, representada pelo presidente nacional, Munir Abud, e pelo diretor executivo, Sergio Gonçalves.
Na conferência de abertura, Alexandre Motta, presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), destacou o papel estratégico de iniciativas que conectam o debate climático ao saneamento. Segundo ele, é fundamental ampliar essa discussão para a sociedade: “Iniciativas como essa são absolutamente essenciais. Quando reunimos diferentes visões sobre a relação entre clima e saneamento, enriquecemos o debate e ampliamos a capacidade de compreender e responder às preocupações da sociedade”.Vários olhares
O primeiro painel, “Correlações entre Mudança Climática e Serviços de Saneamento: Desafios e Perspectivas”, foi mediado por Manuela Marinho, integrante do Núcleo de Clima e Saneamento da FESPSP, e destacou o avanço do tema na agenda internacional, especialmente após a COP30. “O reconhecimento do saneamento e da água como fundamentais para a adaptação climática trouxe um novo olhar, inclusive para o financiamento público”, afirmou.
O painel reuniu representantes de diferentes instituições: Antonio Miranda, coordenador de Projetos da FESPSP; Munir Abud, presidente nacional da Aesbe; Alexandre Motta, presidente da Funasa; Ana Carolina Argola, diretora da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), e Ricardo Rezende, gerente do Departamento de Indústria de Base e Extrativa Sustentáveis da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que participou de forma online.
Já o segundo painel, “A Visão dos Governos, Parlamento e Prestadores: o que precisa ser feito no setor de saneamento para um melhor enfrentamento da Mudança Climática?”, foi mediado pela integrante do Núcleo de Clima e Saneamento da FESPSP, Fernandha Batista e trouxe uma análise prática sobre como os diferentes entes estão se preparando para eventos extremos, como secas, desertificação e enchentes. “As mudanças climáticas deixaram de ser uma expectativa e já são uma realidade. O desafio agora é entender como os serviços de saneamento podem responder com rapidez e eficiência, garantindo a continuidade de serviços essenciais”, destacou a mediadora.
Fernandha também enfatizou a importância do planejamento e da coordenação entre União, estados, municípios, setor privado e Congresso Nacional. “É fundamental avaliar o papel de cada ator, o nível de preparação e os impactos na regulação, nas tarifas e na atuação das equipes. Só assim é possível avançar em soluções mais resilientes para o setor”, completou.
Participaram deste debate: Adnam Salem, do Ministério das Cidades/Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (MCID/SNSA); Esmeraldo Pereira dos Santos, da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae); Romário Júnior, da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (ABCON); André Galvão, da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema); Adriano de Queiroz, da Associação Brasileira de Agências de Regulação (ABAR); o deputado federal Fernando Monteiro, da Frente Parlamentar do Saneamento Básico; e Sérgio Gonçalves, da Aesbe.
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