Bolsa e real sobem com alívio global

Valor Econômico
23/01/2020

Por Marcelo Osakabe, Vitor Rezende e Ana Carolina Neira

China toma medidas para conter vírus e ameniza preocupação do investidor

A iniciativa do governo chinês para conter o surto de coronavírus amenizou as preocupações dos investidores e abriu espaço para a recuperação dos ativos de risco, após o tombo na véspera. Por aqui, esse movimento ajudou o Ibovespa a fechar em firme alta, de volta na marca de 118 mil pontos. Já o dólar cedeu terreno para o real, em linha com os ganhos de outros emergentes.

Na renda variável, o Ibovespa fechou em alta de 1,17%, aos 118.391 pontos, com giro financeiro de R$ 15,5 bilhões. Já o dólar comercial caiu 0,71%, aos R$ 4,1753. Os demais pares emergentes também avançaram contra o dólar no pregão. Ontem no horário de fechamento aqui, a moeda americana cedia 1,14% frente ao rand sul-africano e 0,51% ante o peso mexicano.

Após o susto inicial com o avanço do novo vírus, os investidores passaram a confiar mais no fato de que agentes de saúde de diversos países trabalham de maneira efetiva para controlar a disseminação da doença que já matou aproximadamente 17 pessoas e infectou mais de 400 pelo mundo todo. A maior preocupação é que um número muito alto de contágio e mortes possa atrapalhar a recuperação econômica da Ásia.

O governo da China anunciou medidas de controle e triagem de viajantes para conter a difusão do coronavírus. Os novos protocolos devem entrar em vigor antes das comemorações do Ano Novo Chinês, que começam na sexta-feira. Além disso, as autoridades do país decidiram isolar a capital da província de Wuhan, epicentro do surto.

Apesar da melhora de percepção sobre o contágio na China, ainda é cedo para virar a página sobre o caso, dizem analistas do Citi. “O sentimento de risco deve se recuperar quando os investidores entenderem que a epidemia não irá se alastrar. Ainda não estamos nesse momento”, diz o banco americano em relatório.

Internamente, houve também alguma movimentação no câmbio por causa de notícias de captações como a do Bradesco, que emitiu US$ 1,6 bilhão em bônus no exterior. Ainda assim, o operador Cleber Alessie Machado, da HCommcor, afirma que a queda do dólar não altera a perspectiva do mercado cambial, que ainda se ressente de dados melhores da economia para poder mudar de tendência, hoje de desvalorização do real. “Enquanto não houver melhora nos dados que possam se traduzir em chegada de fluxo, o mercado continuará sem referência”, diz.

Segundo o Banco Central, o fluxo cambial voltou a ficar negativo na semana passada. Entre 13 e 17 de janeiro, houve saída líquida de US$ 874 milhões. Com isso, o saldo do fluxo cambial no acumulado do ano caiu para US$ 235 milhões. A conta de capital contribuiu positivamente com US$ 654 milhões. Já a conta comercial está negativa em US$ 419 milhões.

O ritmo ainda moroso de retomada da atividade se alinha com a inflação comportada, abrindo espaço para apostas em queda de juros. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passou de 4,39% para 4,34%, após ter tocado a mínima histórica de 4,33% durante a tarde. Já a do DI para janeiro de 2022 recuou de 5,00% para 4,94%. Com isso, o mercado projeta agora 73% de chances de corte da taxa básica de juros, a Selic, de 4,5% para 4,25% em fevereiro.

Coletas diárias de preços continuaram a mostrar que, em um mês, o IPCA está próximo de 0,40%, disseram profissionais do mercado, o que indica forte perda de fôlego após o avanço de 1,15% observado em dezembro. No mercado futuro, os investidores veem chance de pressão inflacionária ainda menor no curto prazo. Os contratos de futuro de cupom de IPCA (DAP) já negociam a inflação de janeiro fechada em 0,27%, número bem distante dos vistos no mês anterior.

 

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