Biorremediação é técnica promissora para tratamento do solo e água, tendo bastante expansão no país

Os resíduos gerados pela atividade humana e industrial, quando despejados incorretamente, afetam diretamente os ecossistemas naturais, poluindo os recursos hídricos e degradando o solo com substâncias tóxicas. O derramamento de petróleo e seus derivados é um exemplo. Como se sabe, esses incidentes sempre resultam em diversos problemas ambientais.

Em muitos casos, a solução encontrada para a reconstituição das áreas afetadas consistia na coleta e retirada de material contaminado, sem saber ao certo que destino dar a ele. Essa prática ocasionava o risco de contaminar outra área durante o transporte do material ou sua deposição em local provisório. De acordo com estudo do Departamento de Microbiologia da Universidade de São Paulo (USP), rios, lagos e represas têm como alguns dos principais poluentes os metais pesados, que são elementos extremamente recalcitrantes.

Nesse contexto, a biorremediação é uma técnica que favorece o meio ambiente porque utiliza organismos vivos, como bactéria, fungos e plantas, ou compostos produzidos por estes, para reduzir ou remover um contaminante de determinado local. Além de ser uma metodologia amplamente utilizada pelo mundo, é acessível financeiramente e, o melhor de tudo, sustentável. “Além de ser extremamente eficiente, é relativamente mais barata que outros processos por utilizar produtos naturais do próprio ambiente e o impacto é mínimo, pois é uma metodologia sustentável. A grande maioria dos contaminantes é um tipo de comida que diversos microrganismos adoram”, diz Henrique Fragoso dos Santos, PhD e professor adjunto no Departamento de Biologia Marinha da Universidade Federal Fluminense (UFF).

A técnica já demonstrou grande sucesso quando aplicada em diferentes tipos de solos, assim como águas subterrâneas. “Esses ambientes possuem uma grande diversidade de microrganismos com capacidade de degradar poluentes. A estratégia seria isolar esses microrganismos e aumentar seu número em laboratório, para, posteriormente, aplicar em campo ou, ainda, utilizar nutrientes específicos para estimular a ação no próprio ambiente”, ressalta o docente.

O Departamento de Biologia Marinha da UFF está desenvolvendo metodologias biorremediadoras para os dois maiores desastres ambientais do Brasil, o rompimento da Barragem do Fundão e o derramamento de petróleo que acometeu a costa nordeste e sudeste do nosso país em 2019. Em parceria com outras instituições, a utilização de bactérias dos próprios corais com capacidade de degradar o óleo, como também melhorar a saúde desses animais, tem demonstrado grande eficiência na remoção de petróleo e foi o diferencial para sobrevivência dos corais.

Técnica em larga escala

Nas estações de tratamento de água e esgoto, os microrganismos auxiliam o tratamento reduzindo ou removendo os diferentes poluentes. No entanto, a utilização de microrganismos para essa finalidade pode ser melhorada, com objetivo de remover poluentes ainda negligenciados no nosso país, como os Agentes Hormonalmente Ativos (AHAs), um grupo particular de contaminantes orgânicos que tem se destacado por seu potencial de afetar os sistemas nervoso, endócrino e imunológico dos seres vivos.

Para Fragoso, a biorremediação poderia estar sendo empregada em larga escala na limpeza dos rios, praias, manguezais e outros ambientes marinhos atingidos pelo petróleo em 2019. No entanto, a metodologia depende do isolamento prévio de microrganismos com capacidade degradadora para cada local. Segundo ele, é importante que regiões sensíveis e suscetíveis à contaminação sejam amplamente estudadas para o desenvolvimento de metodologias específicas para cada área. “Não podemos esperar o desastre acontecer para começarmos a entender o ambiente e desenvolver metodologias de biorremediação. É primordial o investimento público e das grandes empresas de petróleo e gás. Isso sendo feito, o Brasil estará muito mais preparado para enfrentar desastres ambientais como os rompimentos das barragens de rejeito de mineração e a contaminação por petróleo”, finaliza.

 

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