Bancos projetam novo recorde em ofertas de ações

Valor Econômico

Por Maria Luíza Filgueiras

Operações podem somar até R$ 200 bilhões

Os bancos de investimento estão preparados para um novo recorde em volume de emissões de ações este ano. Em 2019, o montante emitido no mercado doméstico foi de R$ 89,6 bilhões em 42 operações, superando o desempenho de 2007, conforme dados da B3. Somada a oferta da XP Investimentos na bolsa americana Nasdaq, o total de transações de empresas brasileiras chega a cerca de R$ 98 bilhões. Agora, nas estimativas mais conservadoras, bancos como Itaú BBA falam em volume de R$ 125 bilhões e, nas mais otimistas, instituições como Credit Suisse projetam R$ 200 bilhões em ofertas iniciais e subsequentes (IPOs e “follow-ons”).

Somente entre operações já registradas e as que serão lançadas nos próximos dias estão as incorporadoras Mitre Realty e Moura Dubeux, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará, a Locaweb, o Banco Votorantim e a Caixa Seguridade na ponta de IPOs. Entre os follow-ons, os primeiros serão da Ânima Educação, da JBS e da Petrobras. Outras companhias já contrataram bancos para operações este ano, como a administradora de shoppings Almeida Junior, a rede de restaurantes Madero, a empresa de saneamento Saneago, o banco BS2, a Vasta Educação, as incorporadoras You, Inc e Kallas e o birô de crédito Boa Vista. Os bancos ouvidos pelo Valor não falam sobre operações específicas.

 Na XP Investimentos, a estimativa de ofertas para o ano começou com 40 operações e hoje já projeta quase 80 transações para o mercado brasileiro. “São dois efeitos que estamos enxergando no mercado hoje. O primeiro é que muitas companhias que pensavam em IPO em 2021 ou 2022 estão antecipando esse movimento, para aproveitar essa janela forte de mercado, e que há um interesse crescente em followons também, para as companhias se capitalizarem para o crescimento da economia”, diz Pedro Mesquita, chefe da área de emissões de ações da XP.

O outro efeito, segundo Mesquita, é ainda da migração de capital da renda fixa para renda variável, por conta dos juros baixos. “O atual patamar do CDI é o que torna essa janela tão peculiar. Em 2007, quando houve o maior número de ofertas, a Selic estava em 12%”, ressalta. A taxa Selic atual é de 4,5%, o que tende a tornar a média de performance dos fundos de ações mais atrativa para o investidor do que a renda fixa.

“Já na primeira janela de mercado, que vai até o final de abril, usando os balanços do quarto trimestre, devemos ter entre 15 e 20 transações”, diz Roderick Greenlees, chefe global de banco de investimento do Itaú BBA.

A projeção do Bank of America (BofA) está no meio termo entre as conservadoras e as otimistas. O banco espera R$ 150 bilhões em ofertas de ações até dezembro. “O ano passado foi recorde em volume em reais, batendo 2007, mas não foi em dólares. Esse ano o volume baterá recorde também em dólar”, diz Hans Lin, chefe do banco de investimento do Bank of America. “São tamanhos variados de operação, de R$ 500 milhões e de R$ 5 bilhões”, complementa.

Transações de desinvestimentos por parte de estatais – de posições detidas pelo BNDES, Caixa, Banco do Brasil e Petrobras – terão mais uma vez participação relevante no volume de ofertas. Somente o follow-on de JBS, que deve ser lançado na semana que vem para precificação ainda em janeiro, e a oferta da Petrobras, que será precificada dia 4 de fevereiro, somarão cerca de R$ 31 bilhões.

Bruno Fontana, chefe do banco de investimento do Credit Suisse, ressalta que as operações feitas por estatais no ano passado foram bem-sucedidas, o que corrobora com a decisão do governo de desinvestimentos em bolsa. “A realização de operações da Caixa, do Banco do Brasil e da Petrobras no ano passado ajuda a reduzir resistência a esse modelo de venda”, diz.

Apesar da continuidade dos follow-ons, os bancos esperam uma proporção de IPOs bem mais relevante este ano, em relação ao ano passado. “No ano passado foram cinco IPOs no Brasil. Esse número pode até quintuplicar este ano”, considera Fontana.

Esse movimento de listagem virá de empresas familiares em processos de sucessão, caso da Almeida Junior, mas também da saída estratégica de fundos de investimentos. “Muitos fundos de private equity estão olhando portfólio para levar suas empresas ao mercado público e esse será um indutor relevante para IPOs”, corrobora Marcelo Millen, responsável pela área de emissão de ações no Citi Brasil.

Ele prefere não fazer uma projeção de volume, mas também é otimista com o cenário. “Não é uma lista de nomes requentados, de empresa que já tentou em outras janelas, mas muitos nomes novos”, diz Millen.

Até o ano passado, os bancos e a bolsa consideravam 2007 como ano de referência, apesar de 2010 ter tido volume maior – mas ali por conta de uma operação específica de R$ 120 bilhões da Petrobras e por isso refletindo menos um aquecimento de mercado. Em 2007, foram R$ 70 bilhões em 76 ofertas e, em 2010, R$ 149 bilhões em 22 ofertas, conforme a B3. Se as projeções mais otimistas se confirmarem, o ano será o maior em volume, em reais e em dólares, e em número de ofertas. “Serão vários recordes em 2020”, avalia Greenlees.

 

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