As 10 ações que mais subiram entre 2010-19

Estadão
02/01/2019

Por Alexandre Cabral

Vou escrever aqui sobre as maiores variações de ações na década. Por “década”, entenda-se a comparação entre o último pregão de 2009 e o último pregão de 2019.

Dezembro de 2009. Era o fim da primeira década do segundo milênio após o nascimento de Cristo. Naquela época, a Dilma ainda não tinha sido eleita presidente, existia a guerra do Iraque, o Papa Bento XVI ainda liderava a Igreja Católica Apostólica Romana, Bin Laden, Margaret Thatcher e Nelson Mandela estavam vivos. E o Mengão tinha acabado de ser campeão brasileiro (voltou a ser em 2019. Será alguma mensagem?). Mas o que isso tem a ver com este texto? Nada! São apenas curiosidades.

Vou escrever aqui sobre as maiores variações de ações na década. Por “década”, entenda-se a comparação entre o último pregão de 2009 e o último pregão de 2019.

Como foi feito o estudo

Com a ajuda do meu amigo Einar Rivero, da Economática, estabelecemos o seguinte:

  1. Todas as ações incluídas no estudo devem ter cotação em todos os pregões dentro desse período.
  2. Todas as ações precisam ter negociado no mínimo R$ 1 milhão por dia, para representar alguma relevância.
  3. Para efeito didático, decidimos também comparar com o IPCA do período, para verificar o ganho real.

O IPCA acumulado até novembro de 2019 foi de 74,30%. Considerando as projeções para a inflação de dezembro, o ano de 2019 deve fechar com 75,50% de inflação. É este número que vou considerar.

  1. Seguindo esses critérios, sobraram 128 ações. Entenda-se por “ações” o código delas na Bolsa. Exemplo: Petrobrás é uma empresa, mas possui dois códigos na Bolsa: PETR3 e PETR4. Irei considerar por códigos.

Vejamos então as 10 primeiras colocadas:

1º Sanepar – SAPR4: +1.535,27% no período ou 32,24% ao ano.

Superou o IPCA em 831,25% no período e 25,00%aa.

Empresa de Saneamento do Estado do Paraná, considerada de capital misto, pois o governo do Paraná possui 60,10% do capital votante ou 20,03% do capital total.

A grande virada foi a venda, feita pelo governo paranaense em dezembro de 2016, de parte considerada excedente do seu portfólio de ações (parte considerável das ações preferenciais).

2º Comgás – CGAS5: +1.331,89% no período ou 30,49%aa.

Superou o IPCA em 715,43% no período e 23,35%aa.

Empresa de gás sediada no Estado de São Paulo, privatizada nos anos 90, que tem como principal acionista a COSAN. Altamente eficiente, em um Estado altamente eficiente. Tem o monopólio de vários produtos em sua região de atuação, ou convive com concorrência que não consegue disputar preço, o que é um grande diferencial em favor da empresa.

Parte considerável da alta da ação ocorreu nos últimos 16 meses. Do dia 13/09/2018 até 30/12/2019 ela subiu 309,84%.

3º Alpargatas – ALPA4: +1.226,62% no período ou 29,50%aa.

Superou o IPCA em 655,48% no período e 22,41%aa.

Fabricante de calçados, representante ou dona das seguintes marcas: Havaianas, Mizuno, Osklen, Dupé e Mega Outlet. Líder de calçados na América Latina.

Uma das grande viradas foi o reposicionamento da marca Havaianas, deixando de ser o chinelo dos menos necessitados (quantas vezes as tiras soltaram no meio de um jogo de futebol? Solução: recolocar a tira e prender com um prego a parte de baixo), para se tornar um charme da classe média (virou descolado usar havaianas).

4º RaiaDrogasil – RADL3: +1.225,09% no período ou 29,49%aa.

Superou o IPCA em 654,61% no período e 22,40%aa.

União em 2011 de duas marcas já consagradas: Droga Raia e Drogasil. Hoje estão em 22 Estados do Brasil, representando 97% do mercado consumidor de produtos famacêuticos.

5º Eztec – EZTC3: +1.220,14% no período ou 29,44%aa.

Superou o IPCA em 651,79% no período e 22,35%aa.

Empresa de construção civil, com destaque na região de São Paulo e com público de alta renda. Pouco sentiu a crise, trabalhando com boas margens e baixos estoques. Virou a queridinha de alguns gestores de fundos.

6º Equatorial – EQTL3: +1.143,69% no período ou 28,67%aa.

Superou o IPCA em 608,25% no período e 21,62%aa.

Holding que controla as distribuidoras de energia Ceal (Alagoas), Cemar (Maranhão), Celpa (Pará) e Cepisa (Piauí), além de participar de outras sociedades na região nordeste.

Eu, como perdi um bom dinheiro com a canetada da Dilma no setor de energia, tenho um pouco de trauma.

7º Lojas Renner – LREN3: +987,42% no período ou 26,95%aa.

Superou o IPCA em 519,26% no período e 20,00%aa.

Excelente posição física e online, com ótimas margens. Marca consolidada e que não vem sentindo tanto o efeito das concorrentes, principalmente do grande vilão do varejo brasileiro, a Amazon.

8º Localiza – RENT3: +921,90% no período ou 26,17%aa.

Superou o IPCA em 481,95% no período e 19,26%aa.

Empresa de aluguel de veículos, viu a sua frota passar de 100 mim para 299 mil veículos, em 8 anos. Responsável pela compra de 8% dos carros das principais montadoras do Brasil. Ganhou força com a onda dos aplicativos de transporte (Ubers da vida) e com várias empresas terceirizando suas frotas. Atua em 359 cidades do Brasil e tem 37,7% de participação no setor de aluguel de veículos (a segunda colocada tem atualmente 13,6%).

9º Unipar – UNIP6: +726,01% no período ou 23,51%aa.

Superou o IPCA em 370,39% no período e 16,75%aa.

Empresa especializada no setor de soda, cloro e derivados.

Tem como um dos sócios o Verde Asset (7,62% das ações ON ou 2,64% do capital total). Para quem não sabe, o Verde é do mago Luis Sthulberg. O outro é o Luis Barsi (12,54% das ON, 21,51% das PN e 18,40% do capital total). Acho que esses dois já são excelentes referências para essa empresa.

10º Taesa – TAEE11: +709,98% no período ou 23,27%aa.

Superou o IPCA em 361,26% no período e 16,52%aa.

Transmissora de energia elétrica, tem a concessão de 36 empresas.

Lembram do setor de energia? Estou fora.

E as demais ações mais populares:

27º Ambev – ABEV3: +347,57% no período ou 16,17% aa. Superou o IPCA em 154,88% no período e 9,81% aa.

33º Bradesco – BBDC4: +282,44% no período ou 14,36% aa. Superou o IPCA em 117,79% no período e 8,09% aa.

46º Banco do Brasil – BBAS3: +237,04% no período ou 12,92% aa. Superou o IPCA em 91,94% no período e 6,74% aa.

48º ItaúUnibanco – ITUB4: +230,65% no período ou 12,70% aa. Superou o IPCA em 88,30% no período e 6,53% aa.

CDI: +154,44% no período ou 9,79% aa. Superou o IPCA em 44,90% no período e 3,78% aa.

IBOVESPA: +68,61% no período ou 5,36% aa. Não superou o IPCA, ficando negativo em 3,98% no período e -0,41% aa.

88º Vale – VALE3: +64,15% no período ou 5,08%aa. Não superou o IPCA, ficando negativo em 6,52% no período e -0,67% aa.

97º Petrobras – PETR4: +7,85% no período ou 0,76% aa. Não superou o IPCA, ficando negativo em 38,58% no período e -4,76% aa. Obrigado, Dilma pelo desserviço. Qualquer dia eu escrevo um texto somente dessa ação.

Conclusão Este foi um texto em que quis mostrar quais foram as principais ações que subiram na última década. Detalhe: entre os principais destaques, somente uma companhia de capital misto. As demais são todas de comando privado.

Para vocês, um feliz 2020. Dedico este texto às minhas gêmeas “Marrenta” e “Tô com fome”.

Edição: Patrícia Monken

 

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