A Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) celebra, neste dia 27 de dezembro de 2025, seus 41 anos de atuação no setor de saneamento, um marco de dedicação e compromisso com a universalização dos serviços de saneamento no Brasil. Desde sua fundação, em 1984, em Brasília (DF), a Aesbe se consolidou como a maior associação representativa do setor, promovendo mudanças significativas e impulsionando políticas públicas voltadas para o desenvolvimento e a melhoria da infraestrutura de saneamento no país.
Ao longo das décadas, tornou-se protagonista essencial no cenário nacional, sempre com foco na implementação de ações que garantem o direito ao saneamento para todos os brasileiros, de norte a sul do Brasil, do Caburaí (RR) ao Chuí (RS). Diversas iniciativas e parcerias foram fundamentais para o avanço do setor, incluindo a criação do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) e o lançamento do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), em 1993.
Durante os anos 2000, a Aesbe teve papel decisivo na implantação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que trouxe grandes investimentos para o setor de saneamento. Em 2007, foi implementado o Marco Regulatório do Saneamento Básico, estabelecendo normas e diretrizes para o crescimento e a eficiência das empresas de saneamento em todo o país. A entidade acompanhou atentamente as mudanças legislativas que regulamentaram o setor, como a Lei nº 9.656/98, que tratou do saneamento básico no Brasil, e a aprovação do Plansab em 2013, documento que orienta a execução de políticas públicas para a universalização do saneamento até 2033.
Nos últimos anos, a Aesbe continuou a avançar, participando ativamente dos debates sobre a atualização do Marco Regulatório do Saneamento, em 2020, e criando a Escola Nacional de Saneamento, em parceria com a FESPSP, com o intuito de qualificar e capacitar profissionais para os desafios do setor. Também ampliou sua produção técnica e seu papel como difusora de conhecimento por meio da série Universalizar, que reúne estudos, análises e subsídios estratégicos para impulsionar a universalização dos serviços e aprimorar a gestão das empresas associadas.
Além disso, as Câmaras Técnicas da Aesbe desempenham um papel fundamental no fortalecimento do setor de saneamento básico no Brasil. Ao todo, 16 câmaras funcionam como ambientes permanentes de diálogo, cooperação e produção técnica, essas câmaras reúnem especialistas das companhias estaduais, promovendo a troca de experiências e a construção conjunta de soluções para desafios comuns.
Nessa trajetória recente, a associação esteve envolvida em pautas fundamentais, como as discussões sobre a Reforma Tributária, na tentativa de garantir que o saneamento básico fosse equiparado ao setor da saúde, evidenciando os avanços obtidos ao longo dos anos com a expansão dos serviços, como a redução da mortalidade infantil, das doenças transmissíveis e das internações hospitalares. Apesar de não conquistar o objetivo final, que seria a aprovação da equiparação, a Aesbe segue na discussão para assegurar que a população não seja prejudicada com possíveis aumentos tarifários. A entidade também se dedicou ao debate sobre a Tarifa Social, instrumento que visa fornecer desconto na conta de água e esgoto para famílias de baixa renda. A Aesbe reafirma a relevância da medida como mecanismo de justiça social, mas alerta para os desafios financeiros decorrentes de sua implementação indiscriminada, uma vez que o impacto estimado para as companhias pode superar R$ 1,4 bilhão por ano, representando um aumento médio de 9,27% nas tarifas para outras categorias de consumidores.
Um dos pontos mais importantes da atuação da Aesbe em 2025 foi sua participação na COP30, realizada em Belém (PA). A presença da entidade no maior evento climático do mundo representou um marco histórico ao consolidar o saneamento como elemento central das estratégias de adaptação climática. Durante a conferência, a Aesbe lançou o documento “Saneamento e Mudança Climática: Diretrizes das Companhias de Água e Esgoto para o Enfrentamento de Eventos Anormais”, que oferece orientações técnicas para fortalecer a resiliência das empresas associadas frente a secas extremas, enchentes, tempestades severas, aumento da temperatura e outros efeitos decorrentes das mudanças climáticas.
O material passou a servir como referência nacional ao delinear soluções práticas para prevenção, mitigação de impactos, gestão de crises e planejamento de longo prazo. A partir da COP30, a Aesbe passou a integrar grupos permanentes de discussão climática, contribuindo para aproximar o saneamento das agendas globais de sustentabilidade, segurança hídrica e transição justa.
O presidente da Aesbe, Munir Abud, destaca que a celebração dos 41 anos sinaliza um momento de renovação, maturidade institucional e responsabilidade ampliada. “A Aesbe chega aos 41 anos ainda mais comprometida com um saneamento público forte, eficiente e sustentável. As empresas associadas desempenham um papel decisivo na redução das desigualdades e na proteção ambiental, especialmente diante dos efeitos crescentes das mudanças climáticas”, afirma.
Para ele, a COP30 reforçou a compreensão de que não há política climática eficaz sem investimentos contínuos em água tratada, esgotamento sanitário, gestão de risco e sistemas resilientes. “A preparação e a participação da Aesbe na COP30 mostraram que o saneamento precisa estar no centro das políticas de adaptação e mitigação. Não há futuro climático seguro sem obras de infraestrutura hídrica robustas, sem combate às perdas, sem gestão integrada e sem inclusão social”, complementa. Munir Abud conclui reafirmando o compromisso da associação: “Seguiremos atuando para garantir que o saneamento seja prioridade nacional — pela saúde, pela justiça social e pela segurança climática do país”.


