A força das ações dos bancos brasileiros

Valor Econômico
27/12/2019

O principal rival latino-americano do Brasil na disputa pela atenção dos gestores de fundos de mercados emergentes é o México

Nas Américas, o Brasil oferece um contrapeso aos EUA. A economia deste último supera a do Brasil. Mas no universo de ações latino-americanas, o Brasil é destaque, liderado por seus bancos. Dois dos três maiores grupos do índice MSCI Latin America, com mais de 11%, são bancos brasileiros. Com o total de empréstimos crescendo ao ritmo mais rápido em mais de três anos, alimentado por taxas de juros historicamente baixas, não se pode ignorá-los. Mas suas ações estão caras, especialmente em comparação com seus pares mexicanos.

No Brasil, diferentemente dos EUA e da UE, as ações de bancos reagiram positivamente quando as taxas de juros caíram, observa o UBS. A sensibilidade dos ganhos aos juros em declínio, o que diminui o retorno que esses bancos têm sobre seus empréstimos, é relativamente baixa. A queda no lucro líquido dos bancos brasileiros e mexicanos a cada 1% de queda nas taxas é, em média, de menos 3%. Para as instituições da China, é mais que o triplo disso.

Anos de cortes na principal taxa de juros do Brasil, a Selic, mais do que dobraram o indicador medido pela relação entre o preço e valor patrimonial do setor (P/VPA) para 2,3 vezes desde o fim de 2015, aproximando-o das máximas em cinco anos. Há uma boa razão. O Itaú Unibanco e o Bradesco, os dois maiores bancos privados, produzem altos retornos sobre o patrimônio (ROE), de cerca de 20%. Mesmo o Banco do Brasil, estatal, que possui uma carteira de crédito de qualidade inferior, oferece 17%.

O principal rival latino-americano do Brasil na disputa pela atenção dos gestores de fundos de mercados emergentes é o México. Enquanto o Banco Central do Brasil adotou uma política de afrouxamento monetário há algum tempo, o Banco do México fez o contrário. Isso, juntamente com o governo do presidente Andrés Manuel López Obrador – consideravelmente menos favorável ao mercado do que as administrações anteriores – diminuiu as avaliações patrimoniais. O Banorte, que cortou custos para lidar com cortes forçados nas comissões bancárias, parece barato ao negociar a cerca de 1,5 vez o valor patrimonial e com um ROE próximo de 20%.

 

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