“Vamos transformar a crise em reformas”, afirma Paulo Guedes

Valor Econômico
10/03/2020

Por Claudia Safatle

Para ministro, aprovar medidas é a melhor resposta que o país pode dar à desaceleração mundial

Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, aprovar as reformas é a melhor resposta que o país pode dar à desaceleração da economia mundial, que tornou-se mais aguda com a disseminação do coronavírus. “Minha resposta a esse cenário é de absoluta tranquilidade”, disse o ministro a jornalistas. “Vamos transformar a crise em reformas, crescimento e geração de empregos”, completou ele a interlocutores logo depois.

Ontem foi um dia de extrema tensão nos mercados. A bolsa teve queda de 12,17%, a ação da Petrobras despencou quase 30% e a taxa de câmbio, que chegou a R$ 4,79 encerrou o dia com o dólar cotado a R$ 4,7282, após leilões de dólares à vista pelo Banco Central.

O ministro descarta qualquer possibilidade de alguma ação oficial de cunho keynesiano como acionar o BNDES para financiar projetos de investimentos. Ele não acredita na eficácia dessas intervenções.

Guedes também rechaça, segundo interlocutores, uma revisão da Lei do Teto de Gasto, por ora. Mas essa pode até vir a ser uma mercadoria de troca: se o Parlamento aprovar as reformas que o ministro propõe, ele até poderia flexibilizar o teto de gasto, dividindo com os deputados e senadores um pedaço do que for economizado daqui por diante com a queda da taxa básica de juros.

A área econômica do governo estima que com a Selic na casa dos 4% ao ano o país poderá economizar cerca de R$ 1 trilhão com o pagamento de juros nos próximos dez anos, montante equivalente ao da reforma da Previdência.

Guedes está confortável com o que ele chama de “4 x 4 com tração nas 4 rodas”: Juros básicos (taxa Selic) a 4% e câmbio na casa dos R$ 4,00 por dólar. Esse é um mundo novo que convida para a expansão do consumo e dos investimentos e representa um tremendo incentivo às exportações.

Assim como o Brasil não surfou nos anos dourados da globalização, agora, também não será arrastado para a desaceleração/recessão da economia mundial, acredita o ministro. Por ser um país continental e fortemente fechado, o Brasil tem sua própria dinâmica que não necessariamente coincide com as oscilações das economias mais desenvolvidas.

Ele ainda está convencido de que a economia brasileira poderá crescer 2% este ano se forem aprovadas as reformas estruturais cujas propostas o governo já enviou ou ainda enviará nos próximos dias ao Congresso. Estas vão do projeto de independência do Banco Central ao marco regulatório da área de saneamento, passando pelas PECs do Pacto Federativo e Emergencial. As propostas de reforma administrativa e tributária serão encaminhadas entre esta e a próxima semana. A tributária tratará, primeiramente, da criação do IVA dual como resultado da unificação do PIS e da Cofins e a possibilidade de os Estados, com o ICMS, se juntarem a esse imposto.

Se elas forem aprovadas pelo Congresso, o país poderá se diferenciar dos demais emergentes e atrair investidores estrangeiros para os projetos, sobretudo, de infraestrutura e logística.

Guedes disse, durante a transição de governo, que se a taxa de câmbio chegasse a R$ 5,00 seria a hora de vender uma parcela considerável das reservas internacionais, realizar um bom lucro e resgatar um parte relevante da dívida. O dólar cotado a R$ 4,72, como no encerramento dos negócios ontem, é um atrativo importante para o BC vender reservas.

 Antes, porém, de se sentir capaz de enfrentar um eventual ataque especulativo contra o real o governo tratou de melhorar os fundamentos. Um dos objetivos foi conter o aumento exponencial das três grandes despesas públicas: previdência, juros e salários.

Ao contrário do tom pessimista do noticiário sobre a performance da economia no ano passado, o ministro avalia que a atividade está em plena recuperação. Como prova disto ele cita o crescimento de 1,7% do PIB no último trimestre de 2019 contra igual período do ano anterior.

Mais usual, contudo, é confrontar trimestre contra o trimestre imediatamente anterior com ajuste sazonal e, nessa medição, a variação do produto interno foi de apenas 0,5%, com uma ligeira desaceleração sobre a expansão de 0,6% no período anterior.

 

 

 

 

 

 

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