Sustentabilidade, pilar da mudança

Valor Econômico
20/01/2020

É preciso mostrar no futuro que o ponto sem volta nos conduziu a um mundo melhor

Poucas palavras foram tão repetidas nos últimos anos no ambiente corporativo quanto propósito, transparência e sustentabilidade. E, semana passada, Larry Fink, Chairman e CEO da gestora de investimentos BlackRock, trouxe ainda mais visibilidade ao tema ao lançar sua carta anual aos CEOs, na qual enfatiza o impacto das alterações climáticas no futuro do planeta e seus efeitos no crescimento econômico e na prosperidade. Fink é categórico: estamos à beira de uma mudança estrutural nas finanças globais.

A sociedade está exigindo transformações e cobra das corporações uma atuação mais transparente, responsável e sustentável. O crescimento e a lucratividade devem estar fundamentados em estratégias de negócios com visão no longo prazo, garantindo há 3 horas desenvolvimento social e preservação ambiental. A evolução dos resultados, portanto, deve apoiar-se no uso consciente dos recursos disponíveis, e não em confrontá-lo.

O pensar e o agir de modo sustentável devem estar cada vez mais interligados para que o apelo da sociedade seja respeitado e mensagens como essa, de Larry Fink, mostrem no futuro que o ponto sem volta nos conduziu a um mundo melhor

Ao subir o tom sobre o tema no decorrer dos últimos anos e indicar, desta vez, que a mudança estrutural alcançou um ponto sem volta, Fink alerta as empresas que ainda não se atentaram ao fato de que é necessário alcançar um modelo de capitalismo sustentável e inclusivo, com práticas deliberadamente desenhadas para atender todos os stakeholders e inserir uma nova mentalidade em toda a estrutura das organizações. Preocupação igualmente demonstrada por outros investidores ao redor do mundo, é bem verdade.

Ao pensarmos o futuro das próximas gerações, possivelmente o tema mais relevante seja a crise climática, por ser global, sistêmica e por sua solução ser absolutamente urgente e complexa. Afinal, conforme aponta o Relatório Global de Riscos divulgado pelo Fórum Econômico Mundial semana passada, as questões climáticas estão de alguma forma inseridas em todos os cinco principais riscos globais da próxima década.

E o que fazer diante deste cenário? A bioeconomia certamente faz parte da resposta. De acordo com a OCDE, ela representa um mercado global de cerca de €2 trilhões. A bioeconomia é uma resposta ao apelo da sociedade para combater o impacto ambiental causado pela fabricação dos produtos que consome, trazendo soluções de origem renovável e reciclável que conquistam espaço crescente no mundo.

Vamos precisar repensar mais, substituir mais, economizar mais. Está evidente que os avanços alcançados até aqui, embora existentes, não têm sido suficientes. Por isso, a carta de Fink, líder de uma gestora que determina rumos de investimentos e, indiretamente, decisões de negócio em escala mundial, pode contribuir para uma mudança irreversível no mercado de capitais global.

O Brasil tem potencial para ser um dos expoentes deste movimento. A rica biodiversidade, as características climáticas e a grande extensão territorial do Brasil permitem que tenhamos vasta produção de alimentos, energia e matérias-primas renováveis. Olhando por este prisma, a árvore plantada onde antes havia apenas área degradada torna-se fonte para criação de uma gama extensa de produtos, substituindo, por exemplo, materiais como plástico e outros derivados de fontes fósseis.

Se por um lado o mais recente relatório da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas deixa claro que temos menos tempo do que pensávamos, ou que gostaríamos de ter, por outro encontramos no manejo florestal sustentável uma importante contribuição à preservação da água, à biodiversidade e à capacidade de remoção de carbono da atmosfera.

O futuro pautado em uma economia de baixo carbono, contudo, é um desafio que não será totalmente equacionado sem uma resposta internacional coordenada entre governos, em conformidade com os objetivos do Acordo de Paris, além do papel da sociedade civil e, obviamente, das empresas.

Para que essa empreitada global tenha êxito, a indústria de árvores plantadas dá sua contribuição ao conectar inovação e sustentabilidade. A soma dessas duas frentes, que pode ser definida com o conceito de inovabilidade, também deve garantir resultados positivos para os negócios e ser apoiada pelo trabalho de centros de pesquisa, da academia e das startups. Juntos, já desenvolvemos e desenvolveremos muitas outras soluções a questões que impactam o ecossistema.

A carta de Larry Fink sugere que atingimos, por assim dizer, um ponto de inflexão e, como sabemos, pontos de inflexão exigem mudanças fundamentais. E uma das maneiras de garantir que os objetivos de longo prazo sejam priorizados é por meio do fortalecimento dos mercados de carbono. No Brasil, isso pode gerar diversas oportunidades, visto que o País conta com setores produtivos que dão contribuição positiva ao sequestro de gases causadores do efeito estufa. O desafio agora é implementarmos um sistema de precificação que valorize os anseios da sociedade.

Felizmente, há sinalizações evidentes de que os direcionadores estão se tornando mais convergentes à causa da sustentabilidade. Não podemos ignorar, contudo, que nos dias de hoje já identificamos alguns sinais inequívocos de esgotamento do planeta que deixaremos para as futuras gerações. Por isso, o pensar e o agir de modo sustentável devem estar cada vez mais interligados para que o apelo da sociedade seja respeitado e mensagens como essa, de Larry Fink, mostrem no futuro que o ponto sem volta nos conduziu a um mundo melhor.

Walter Schalka é presidente da Suzano

 

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