2021: uma janela de oportunidades

Estadão

2021: uma janela de oportunidades

Por Luiz Lemos Leite*

10/01/2021

A crise sanitária e econômica provocada pela pandemia do coronavírus exigiu esforços dos bancos centrais do mundo todo para mitigar seus efeitos. Ao redor do globo, os bancos centrais inundaram os mercados de liquidez com estímulos monetários e fiscais estimados em US$ 70 trilhões.

No Brasil enfrentamos muitos desafios e as medidas emergenciais do Governo Federal liberaram recursos em torno de R$ 1 trilhão, que foram distribuídos na forma de auxílio às empresas e à população menos favorecida.

Merecem destaque o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), o Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (Peac) e a isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que não deverão ser mantidos.

Por sua vez, o sistema financeiro atuou dentro dos seus limites.

É importante lembrar que, nos meses sombrios, os pequenos empreendedores se viram obrigados a lutar por sua sobrevivência diante da paralisação de atividades que não fossem essenciais.

Nesse contexto, o fomento comercial, com suas distintas estruturas operacionais e empresariais mostrou sua importância conseguindo injetar R$ 120 bilhões, em recursos próprios, destinados aos micro e pequenos empresários, montante quatro vezes maior que o liberado pelo Pronampe – que foi, sem dúvida, extremamente valioso para as empresas e até o momento o mais bem sucedido programa de crédito oferecido pelo governo durante a pandemia.

Em paralelo, cumpre registrar que, nestes meses de pandemia, férteis para a criatividade do pequeno empresário, surgiram 1,5 milhão de novas microempresas individuais, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

De outro lado, temos também a indústria travada em seu desempenho de atender a toda demanda pela falta de insumos e de matéria-prima.

O fomento comercial teve uma performance invejável adaptando-se às circunstâncias para operar com índice de liquidez que girou entre 70% e 88%, que, seja como for, contribuiu decisivamente para as micro, pequenas e médias empresas manterem o ritmo de seus negócios ajudando a retomada das atividades econômicas do País.

Neste cenário, a atuação do legislativo é imprescindível. Assim a lei do saneamento básico (Lei 14026/2020) e o debate em torno do marco regulatório do gás (Projeto de Lei 4476/2020), texto ainda em tramitação no Congresso Nacional, podem oferecer a oportunidade histórica de se constituírem em poderosa alavanca de investimentos da ordem de R$ 1 trilhão, na ampliação do espaço de competitividade para as empresas privadas, melhorando a questão social e gerando milhares de empregos.

Outra questão a ser observada sobre a COVID-19 diz respeito à aceleração no uso das tecnologias, com as novas tendências e hábitos digitais que passaram a ser adotados nas mais variadas atividades humanas.

Os desafios e as dificuldades causados pela pandemia da Covid-19 persistem. Mas, a expectativa maior, reside na busca da imunização da população. Enquanto a criação de antídotos para outras doenças consumiu anos de pesquisas e trabalhos, a do coronavírus levou menos de 12 meses.

Na nossa visão, 2021 vai depender da capacidade do governo de administrar o teto dos gastos que, juntamente com as reformas estruturais (tributária e administrativa) e com as várias vacinas disponíveis, poderão dar sustentação a uma efetiva e segura retomada da normalidade da vida nacional incentivando a alocação de maciços investimentos em benefício da economia do Brasil.

Chegando então a 2021 deixamos a nossa mensagem de otimismo, de união e de muitos bons negócios para todos os empresários de fomento comercial. Que seja um ano em que possamos reformular nossos procedimentos para trilhar os novos caminhos traçados pelas necessidades dos micro e pequenos empresários que souberam construir um valioso aprendizado para enfrentar os desafios do dia a dia e atender às necessidades de sua sobrevivência.

*Luiz Lemos Leite foi diretor do Banco Central e é presidente da ANFAC (Associação Nacional de Fomento Comercial)

 

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