Série “Saneamento em ação”: Copasa cria comitê e adota estratégias de prevenção ao coronavírus

Abes
18/04/2020

Por Murillo Campos

Dando continuidade à nossa série de reportagens sobre como o setor de saneamento está enfrentado o coronavírus, trazemos as medidas adotadas pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para assegurar os serviços de água tratada e coleta de esgoto, além de auxiliar no combate à Covid-19 e garantir a segurança de seus colaboradores.

Um dos profissionais na linha de frente, Sebastião Pereira, leiturista da Copasa, revela que sua família fica preocupada com o risco de exposição dele ao vírus, porém diz tomar todos os cuidados necessários ao chegar em casa.

” Tiro o sapato, deixo os objetos do trabalho em saco plástico em local separado. Vou direto para o banho, lavo os cabelos todos os dias. Somente depois me integro à família”, conta Pereira.

Ele afirma ter redobrado a atenção no trabalho, como lavar as mãos com mais frequência e manter certa distância de outras pessoas, para não ser um ‘agente de contaminação’. Além disso, vê o saneamento com papel fundamental em meio à pandemia.

“Nos sentimos orgulhosos e esperamos que a população reconheça a importância de nosso serviço. Levamos saúde todo dia para as casas das pessoas”, frisa.

Ações da Copasa

Diante do cenário de pandemia, a Copasa criou um Comitê de Enfrentamento de Crise para medidas de proteção de funcionários e clientes contra o coronavírus.

Entre algumas ações, estão o afastamento de colaboradores do grupo de risco (maiores de 60 anos, gestantes, imunodeprimidos, entre outros), migração do atendimento para os canais digitais e implantação de home office.

“Adotamos o regime mínimo de escala de trabalho presencial. Tudo para que pudéssemos cumprir as recomendações das autoridades de saúde pública”, relata Cristiane Schwanka, diretora de Relacionamento e Mercado da Copasa.

Em entrevista à ABES Notícias, Cristiane comenta como a empresa está encarando a atual pandemia, o impacto causado no setor até o momento e as medidas tomadas para ajudar a frear a Covid-19. “O profissional do saneamento é, acima de tudo, um agente de saúde pública”, salienta Cristiane.

Leia abaixo a entrevista completa:

ABES Notícias – Quais ações foram adotadas pela Copasa para ajudar na luta contra o coronavírus?

Cristiane Schwanka – Assim que as Autoridades de Saúde Pública declararam a pandemia da Covid-19, imediatamente, instalamos um Comitê de Enfrentamento de Crise para que pudéssemos adotar medidas céleres e eficazes, tanto para a proteção da saúde de nossos empregados e de suas famílias, como de nossos clientes.

Acima de tudo, atuamos rapidamente para que pudéssemos comunicar de forma clara, que todos adotassem os cuidados básicos de higiene e o afastamento social. Que o fechamento das agências de atendimento presencial imediato era necessário para evitar aglomeração e circulação de pessoas.

Fizemos a comunicação chegar aos empregados e clientes e para quem precisava, de forma mais rápida possível, por meio de e-mail marketing, card, intranet, site, entre outros canais de comunicação. Migramos todos os serviços que eram oferecidos nas agências de atendimento para agências virtuais.

ABES Notícias – Uma das principais formas de prevenção do coronavírus é a limpeza e higiene das mãos. Que atitudes estão sendo tomadas pela Companhia para garantir o abastecimento de água para toda a população?

Cristiane Schwanka – A prestação do serviço de saneamento é essencial e não pode parar. A água tratada precisa continuar a chegar nas casas das pessoas e, ao mesmo tempo, o esgoto sanitário gerado nas mesmas casas precisa continuar a ser coletado, afastado das frentes das residências e ser encaminhado para o tratamento, sempre que possível.

A população se lembra que precisa da água, mas, em regra, não reconhece o valor de ter à sua disposição o serviço de esgotamento sanitário e ele é fundamental para a saúde. O profissional do saneamento é, acima de tudo, um agente de saúde pública.

Todavia, para atender as recomendações das Autoridades de Saúde e de Segurança Pública, a Copasa precisou manter em regime de trabalho ‘home office’ as pessoas com idade superior a 60 anos, gestantes, estagiários, menores aprendizes e empregados portadores de condições de saúde que os enquadraram nos grupos de riscos.

Mesmo diante de tantos desafios, as equipes da Copasa continuam a trabalhar nas ruas, nas Estações de Tratamento de Água (ETAs), Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), nos Laboratórios de Qualidade, realizando a leitura real dos hidrômetros, executando as manutenções das redes e as intervenções emergenciais.

ABES Notícias – Quais medidas foram tomadas para evitar a proliferação do vírus entre os funcionários?

Cristiane Schwanka – Entre os empregados, além do afastamento imediato dos postos de trabalho daqueles que se enquadravam nos grupos de risco (maiores de 60 anos, gestantes, imunodeprimidos, por exemplo), reduzimos a jornada de atividades presenciais e distribuímos o cumprimento das jornadas de trabalho para atividades remotas ‘home office’. Os que possuíam férias vencidas foram direcionados para cumprimento das férias e uma significativa parcela foi colocada em regime de banco de horas.

Adotamos o regime mínimo de escala de trabalho presencial. Tudo para que pudéssemos cumprir as recomendações das autoridades de saúde pública. Adotamos comunicações constantes com as equipes, alertando para a necessidade de preservamos o maior bem: a vida.

ABES Notícias – E com relação aos clientes e parceiros?

Cristiane Schwanka – Os clientes foram comunicados sobre a migração do atendimento para os canais virtuais. As mensagens foram transmitidas em linguagem clara e permanente: nosso site e o telefone 115 estão disponíveis para atender a todos, mas reconhecemos e avisamos que o tempo de espera poderia ser maior do que gostaríamos. Mas fomos adotando medidas de correção. Abrimos um canal especial, o “fale conosco” no qual o cliente pode fazer suas solicitações e, até mesmo, reclamar da demora do atendimento.

Acompanhamos de forma permanente as solicitações dos clientes e respondemos a todos que possuem cadastro atualizado com número de telefone celular e e-mail. Convocamos alguns empregados para retornar do banco de horas para atender as solicitações que estavam pendentes, por meio de aperfeiçoamento da infraestrutura de atendimento.

Queremos que o cliente saiba que estamos aqui para atendê-lo, que compreendemos a importância do serviço que prestamos. Nossos parceiros e empresas contratadas receberam nossa recomendação para atender as recomendações das Autoridades de Saúde Pública, que os empregados pertencentes aos grupos de riscos precisavam de atenção especial, mas que o atendimento ao cliente final deve ser preservado.

ABES Notícias – Diante do atual cenário, de qual forma o setor pode contribuir no enfrentamento dessa crise?

Cristiane Schwanka – O setor de saneamento, diferentemente do setor elétrico, não possui subsídios do Governo Federal. Toda a fonte de receita da concessionária de saneamento vem do pagamento da tarifa pelos usuários, logo, é fundamental que os clientes continuem a pagar suas contas. A Copasa, apenas de possuir o Estado de Minas Gerais como acionista controlador, possui também investidores e acionistas privados.

A Copasa é uma empresa de regime jurídico privado, sujeita a normas da CVM, logo, é proibida de isentar de pagamento de fatura qualquer cliente. Isso é algo que a população não compreende bem.

O setor de saneamento é regulado e a definição das tarifas é feita pela Agência Reguladora dos Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG) e, se há isenção ou perdão de dívida para algum setor ou categoria, o custo deverá ser suportado pelos demais.

Logo, a melhor maneira de contribuir no enfrentamento da crise é fazer uma gestão responsável e eficiente da empresa. Perseguir a sustentabilidade econômico e financeira para que a continuidade da prestação do serviço de saneamento não seja comprometida. Cumprir e honrar o pagamento dos fornecedores de materiais, serviços e equipamentos que são indispensáveis, em meio à essa crise é nosso desafio.

ABES Notícias – Essa pandemia tem afetado de alguma forma os projetos de saneamento da Companhia? Houve algum impacto no setor até o momento?

Cristiane Schwanka – As medidas de restrição a circulação e aglomeração de pessoas, obrigando também ao afastamento social, afeta o dia a dia da atividade de saneamento.

Vários municípios do Estado editaram decretos que restringem diversas atividades econômicas. O setor da construção civil (obras e serviços de engenharia) foram afetados. Várias construtoras e prestadoras de serviços também precisaram reduzir seus quadros de empregados. Inevitável não afetar a produtividade e a velocidade das entregas.

A elevação do índice de inadimplência (faturas de água e esgoto não pagas), ao comprometer a entrada de receita no caixa, obriga a Companhia a adotar plano de contingência para a manutenção de caixa mínimo de pagamento a fornecedores, por exemplo. Ainda estamos avaliando os impactos e analisando a necessidade de repactuação de contratos.

ABES Notícias – Na sua visão, essa crise é comparável a alguma outra que já viveu? Por quê?

Cristiane Schwanka – Não é comparável a nada que a Companhia viveu ao longo de sua existência. Não é possível adotar históricos e tendências anteriores. Avaliamos semana a semana o comportamento do negócio. O fluxo de caixa e arrecadação é acompanhado dia a dia. A decisão de um dia pode não valer para o outro. Cada dia é um novo aprendizado.

ABES Notícias – O que você tem a dizer para os profissionais da empresa que estão atuando na linha de frente diariamente?

Cristiane Schwanka – Reconhecemos e afirmamos que eles são fundamentais para que a população de Minas Gerais possa superar a pandemia. Como afirmamos anteriormente, cada profissional do saneamento é um agente de saúde pública. Nossa preocupação é para que cada empregado esteja atento à necessidade de preservar a sua saúde para preservar a saúde de todos os mineiros. Cada dia que estamos na frente de trabalho, estamos cuidando de todos.

ABES Notícias – E qual recomendação faz para a sociedade?

Cristiane Schwanka – Fiquem em casa. Cuidem-se. Observem as recomendações das Autoridades de Saúde e, acima de tudo, usem a água tratada com responsabilidade. Evitem o desperdício para que todos tenham o acesso.

 

 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

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