PSL faz acordo para reeleger Maia e agilizar agenda fiscal

Por Marcelo Ribeiro e Raphael Di Cunto – Valor Econômico

03/01/2019 – 05:00

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fechou ontem a adesão do PSL do presidente Jair Bolsonaro a sua candidatura à reeleição para o comando da Casa. O movimento, que tende a aumentar o favoritismo de Maia, ainda é analisado pelos partidos de oposição, que querem saber os termos do acordo. Já a equipe econômica de Bolsonaro comemorou o cenário de provável reeleição de Maia, o que facilitaria a aprovação das reformas econômicas.

A negociação com o PSL foi possível após o afastamento do PP do grupo de partidos que apoia o presidente da Câmara. Maia vinha negociando um bloco parlamentar que contaria com quase todos os partidos do Legislativo, com exceção de PSL e PT. Esse grupo dividiria as principais comissões da Câmara, como a de Constituição e Justiça (CCJ) e de Finanças e Tributação (CFT), e os cargos de direção da Casa, deixando de fora o PSL de Bolsonaro, num sinal de independência. Agora, o PSL ficará com as duas comissões e a 2ª vice-presidência. “Era isso ou ficar com a 16ª comissão”, disse o líder do PSL, delegado Waldir (GO).

Um dos principais formuladores do bloco era o líder do PP, deputado Arthur Lira (AL), que vinha se queixando sobre “o andamento do processo” sucessório na Casa e sondou líderes partidários sobre o que pensavam. A maioria reafirmou apoio a Maia, que viu nas conversas espaço para uma traição do PP, com apoio a algum outro candidato do governo em troca de espaço no Executivo. “O Arthur não tem voto, mas numa eleição com um colegiado pequeno, poderia atrapalhar”, disse um aliado de Maia.

O PP é a terceira maior bancada da Câmara, com 37 deputados, enquanto o PSL é a segunda, com 52. PSDB, PR, PSD, SD, PTB e PPS já estão praticamente fechados pela reeleição dele. O PRB, que tinha como candidato o deputado João Campos (GO), avisou ontem que retirará a candidatura e apoiará Maia, o que não aconteceu formalmente até o fechamento desta edição. A sigla deve indicar o 1º vice-presidente da Câmara.

Todos os demais concorrentes mantiveram suas candidaturas e afirmaram que, como o voto é secreto, há margem para crescerem. “Mantenho. Minha candidatura não é de partido, é da maioria dos deputados”, disse o vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (MDB-MG). “Já era meio esperado para o PSL não ficar sem espaços, mas o voto é secreto e os deputados do partido vão entender isso”, afirmou Capitão Augusto (PR-SP). “Isso reforça ainda mais a minha candidatura, que não está pautada nesses acordos tradicionais, no toma lá dá cá”, disse JHC (PSB-AL).

Os partidos de oposição também estão com o acordo encaminhado, mas querem analisar os termos da composição inesperada com o PSL. “O compromisso do Rodrigo era não pautar de forma açodada nenhum projeto polêmico, temos que ver em qual base foi esse acordo”, disse o líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE). Já o presidente do PDT, Carlos Lupi, afirmou que está aberto ao diálogo em torno de outras candidaturas, mas tendência é apoiar Maia em reunião no dia 11. PCdoB e PSB devem seguir o mesmo caminho.

Maia agora vai atrás de consolidar os votos no PT, que tem 55 deputados. Ele visita o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), na próxima semana. A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), defendeu a construção de candidatura alternativa, com o resto da oposição, mas o líder da sigla na Câmara, Paulo Pimenta (RS), ponderou que o partido conversa com todo mundo e nos próximos dias vai avaliar a possibilidade de estar ou não ao lado de Maia.

O acordo foi comemorado pela equipe econômica. O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse que a reeleição de Maia é positiva para as reformas, pois ele já as defendeu no governo Temer. “O Rodrigo Maia por várias vezes lutou bastante pela pauta de ajuste fiscal”, afirmou. O secretário especial da Previdência, Rogério Marinho, foi na mesma linha. “Ajuda, claro. Ele sempre foi [apoiador da agenda], inclusive na anterior e na reforma da qual fui relator, a trabalhista”, disse. (Colaboraram Fabio Graner e Fabio Pupo)

 

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