Plano que financia salário fracassa e será modificado

Valor Econômico
21/05/2020

Por Fabio Graner e Raphael Di Cunto

Congresso discute com a equipe econômica mudanças para tentar fazer plano deslanchar. Uma das ideias é elevar a garantia do Tesouro de 85% para 100% do empréstimo

O Programa Emergencial de Suporte a Empregos, criado pelo Banco Central para financiar a folha de pagamento das empresas com recursos do Tesouro e dos bancos, tem sido considerado um “fiasco” dentro do próprio governo. Em um mês e meio de operação, apenas R$ 1,6 bilhão do total programado de R$ 40 bilhões foi repassado aos tomadores. Por isso, o Congresso discute com a equipe econômica mudanças para tentar fazê-lo deslanchar. Uma das ideias é elevar a garantia do Tesouro de 85% para 100% do empréstimo. Assim, os bancos participantes não correriam risco.

A linha de financiamento para a folha salarial foi lançada no início de abril para empresas com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões. Conforme o planejado, o socorro teria contribuição também do setor financeiro privado. Dos R$ 40 bilhões programados, o governo aportaria R$ 34 bilhões e as grandes instituições bancárias, R$ 6 bilhões. Esse montante seria usado para financiar dois meses de folhas de pagamento, com depósitos nas contas dos funcionários, a uma taxa de juros de 3,75% ao ano, equivalente ao juro básico da economia na época.

Diante do fraco resultado, o Tesouro enviou até agora ao BNDES, responsável pela operação do programa, apenas a primeira metade prometida, de R$ 17 bilhões. A segunda dependerá do comportamento da linha de crédito e das eventuais alterações que o Congresso venha a fazer.

Os dados do Banco Central mostram que a medida financiou o salário de 1,1 milhão de trabalhadores. A estimativa inicial era que 1,4 milhão de empresas e 12,2 milhões de pessoas seriam beneficiadas. Fontes do governo consideram que o programa não avança porque as instituições financeiras, que repassam os recursos, estariam exigindo garantias adicionais. Outra dificuldade seria a proibição de a empresa tomadora demitir empregados por dois meses além do período de financiamento. Um terceiro problema seria a necessidade de bancarização dos empregados, uma vez que o dinheiro é depositado na conta de cada um deles, sem passar pela empresa.

 

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