Oferta de ações puxa receita dos bancos

Valor Econômico
08/01/2019

Por Maria Luíza Filgueiras

Transações em bolsa respondem por 55% do volume de comissões dos bancos de investimento em 2019

As receitas de bancos de investimento em atividades de mercado de capitais e assessoria financeira no país subiram 36,7% no ano passado, para US$ 1,05 bilhão (cerca de R$ 4 bilhões). Conforme a consultoria americana Dealogic, o principal negócio gerador de comissões foi a coordenação de ofertas de ações (IPOs e “follow-ons”) – responderam por 55% do total de receitas, ante participação de 40% nos últimos dois anos. Só nesse segmento, o crescimento de comissões foi de 95% sobre o ano anterior.

“Foi o melhor ano para nós desde 2005”, afirma Roderick Greenlees, chefe global de banco de investimento do Itaú BBA, instituição que teve maior receita em 2019 conforme a Dealogic. “Os três anos anteriores tinham sido fracos para o mercado de capitais, criando uma demanda reprimida de captação das empresas e, com a queda de juros, essa retomada de atividade ocorreu em momento de forte migração de renda fixa para renda variável.”

Para os banqueiros, essa composição de comissões é um bom retrato do ritmo econômico. “Essa distribuição de receita das atividades tem muito a ver com a visão do investidor sobre o mercado”, diz Bruno Fontana, chefe do banco de investimento do Credit Suisse. No primeiro ano de um novo governo e com uma série de mudanças em curso para buscar equilíbrio fiscal e retomada de crescimento econômico, os investidores de longo prazo tendem a esperar um pouco mais para decidir seus investimentos. “Já para o investidor que tem a possibilidade de eventualmente sair do investimento em curto espaço de tempo, como acontece em bolsa, isso acontece de forma mais rápida”, afirma Fontana.

A maioria das operações de ações no ano passado foram de empresas já listadas, que fizeram “follow-on”. De quase 50 ofertas, apenas 6 foram iniciais (IPO) – contando com a oferta da XP Investimentos, feita em bolsa americana. Alguns bancos incluem na conta também a oferta da CPFL, por ter sido chamada de “re-IPO”, já que a companhia não tinha liquidez.

Em volume, no entanto, as transações relevantes foram os follow-ons, com venda de participações detidas por estatais – como as ofertas de BR Distribuidora, IRB Re, Petrobras, Banco do Brasil e Marfrig.

A expectativa é que as emissões de ações continuem liderando a atenção das instituições este ano. “A diferença é que agora há vários IPOs no pipeline. Podemos ter mais de 20 ofertas iniciais no ano”, avalia Hans Lin, chefe do banco de investimento do Bank of America, instituição que também teve destaque de desempenho no ano no ranking da Dealogic.

Os bancos ressaltam a retomada, no ano passado, de operações ligadas a consumo – como ofertas iniciais da Centauro, C&A e Vivara – e de mercado imobiliário, sinalizações de retomada gradual de atividade e maior expectativa das companhias de que isso aconteça. “O mercado imobiliário, tanto empresas listadas e as não listadas, não acessava a bolsa há alguns anos”, diz Greenlees.

Para o Citi, o reflexo de aumento de interesse e de aquecimento econômico já começou a se fortalecer no segundo semestre do ano passado. “O nível de descontos pedidos em follow-ons e o desempenho dos IPOs feitos no segundo semestre do ano passado já mostraram melhora em relação às transações no primeiro semestre”, avalia Marcelo Millen, responsável por equities no Citi Brasil.

Fontana, do Credit Suisse, ressalta que transações de mercado de capitais e também de fusões e aquisições foram fechadas já “no apagar das luzes” do ano passado. “No final de novembro, a visão de um PIB mais fortalecido para 2020 quebrou algumas barreiras para fechar transações que estavam em andamento”, diz.

Por isso, novas histórias relacionadas à economia doméstica tendem a se fortalecer para estreia em bolsa. Os bancos também esperam aquecimento em fusões e aquisições, gerados principalmente por privatizações e por interesse de investidores em negócios de infraestrutura. “Esperamos um volume relevante. Mas essa atividade, como temos visto nos últimos anos, é mais estável e tem menos volatilidade do que as atividades de mercado de capitais”, diz Lin.

O volume de M&A ficou estável no ano passado, assim como o total de receitas desse mercado. O Itaú BBA destaca que há uma série de empresas capitalizadas recentemente com follow-ons com tranches primárias (ou seja, colocando dinheiro em caixa), que também tendem a partir para mais operações de aquisição.

A animação das instituições financeiras se justifica pelo ano de recordes e uma perspectiva de melhora econômica para este ano. Em 2018, a receita dos bancos de investimento havia caído quase 20%, conforme a Dealogic.

 

 

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