Mercados brasileiros devem refletir exterior turbulento e questões políticas

Valor Econômico
12/03/2020 

Por Roberta Costa e Victor Rezende  

Comentários do ministro da Economia de que a economia brasileira pode crescer 1% neste ano podem pesar ainda mais no humor dos investidores

Além do dia de caos no exterior, o noticiário doméstico indica um dia ainda mais conturbado no Brasil, diante das renovadas disputas entre Executivo e Legislativo. Comentários do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o Produto Interno Bruto (PIB) pode crescer 1% neste ano podem pesar ainda mais no humor dos investidores, o que já se reflete nos ativos brasileiros negociados em terras estrangeiras. Nesta manhã, o principal fundo de índice (ETF) de ações brasileiras em Nova York, o EWZ, despencava 12% no pré-mercado, após o ETF que emula o Ibovespa na Bolsa de Tóquio ter cedido 15% durante a madrugada.

A reunião entre representantes do Congresso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, sobre as respostas ao novo coronavírus até poderia acalmar os ânimos, mas comentários de Guedes feitos durante o encontro embutem um viés ainda mais baixista para o crescimento econômico. Segundo ele, “se a pandemia tomar conta do Brasil e nós não fizermos nossas reformas, [o crescimento do PIB] pode chegar até 1%”. Ontem, as projeções oficiais do governo passaram a indicar uma expectativa de expansão da economia de 2,1% neste ano.

Um viés pessimista, contudo, foi conferido aos negócios ainda na quarta-feira, no fim da tarde, quando os mercados à vista já estavam fechando. O movimento foi capturado, principalmente, pelos derivativos e, assim, o pessimismo pode se espalhar ainda mais na abertura dos negócios. Senadores e deputados derrubaram um veto presidencial que impedia a ampliação do acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), o que implicou alta ainda mais forte do dólar para abril, salto das taxas futuras de juros e queda mais consistente do Ibovespa futuro.

Analistas indicam que a ação do Congresso é “muito ruim”, já que, em um momento de fragilidade econômica, senadores e deputados foram na direção contrária e atacaram o ajuste há 32 minutos fiscal. “O que mais nos preocupa é a sinalização que eles passam”, diz Pedro Dreux, gestor na Occam Brasil.

Já os economistas do J.P. Morgan deixaram para trás a projeção de corte de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros na semana que vem e, agora, esperam manutenção da Selic, com duas reduções de 0,25 ponto em maio e em junho. Eles alertam, contudo, que o Brasil “está flertando com uma recessão” no primeiro semestre deste ano e apontam para uma “espiral recessiva” à medida que o novo coronavírus se espalha no país. Por enquanto, o banco americano manteve inalterada a projeção de crescimento de 1,6% do PIB este ano.

Na agenda do dia, o principal destaque no Brasil fica com o leilão de US$ 1,5 bilhão no mercado à vista, em um dia que promete ser, novamente, de dólar forte contra moedas de mercados emergentes.

O discurso do presidente Donald Trump no horário nobre ontem não conseguiu deter a espiral descendente nas bolsas de valores globais, ao contrário. O presidente falou ao vivo do Salão Oval ontem à noite sobre como o governo está lidando com a disseminação do surto de coronavírus, incluindo planos de estímulo econômico. Mais notavelmente, Trump disse que as viagens entre os Estados Unidos e a Europa serão suspensas por 30 dias, a partir de sexta-feira.

O enorme impacto que esta proibição pode ter na atividade econômica fez tombarem os índices de ações, levando os contratos futuros do S&P 500, do Dow Jones e do Nasdaq operarem em queda expressiva.

 

 

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