Maia negocia pauta com oposição

Valor Econômico
17/11/2020

Presidente da Câmara fez concessões na pauta para partidos oposicionistas, em busca de controle da sucessão

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reuniu-se ontem com os partidos de oposição ao governo Bolsonaro para discutir uma agenda de votações até o fim do seu mandato, a possibilidade de suspensão do recesso e também iniciar conversas sobre a sua sucessão. O encontro reuniu PT, PDT, PSB, PCdoB, Psol e Rede.

Maia tem adotado postura de independência em relação ao governo e trabalha para atrair o apoio da oposição para o seu candidato, que ainda está indefinido. Os presidentes do MDB, Baleia Rossi (SP), do Republicanos, Marcos Pereira (SP), e do PSL, Luciano Bivar (PE), tentam o apoio do atual presidente da Câmara. 

A conversa de ontem foi um pontapé inicial, segundo um líder, principalmente porque os partidos de oposição não definiram sua estratégia. A bancada do PT, por exemplo, se reunirá pela primeira vez formalmente na terça-feira para debater o tema. Há os que defendem apoiar alguém do grupo de Maia, para manter a Câmara mais independente do governo, e outros favoráveis a lançar um candidato da própria esquerda para marcar posição.

Os partidos de oposição têm cerca de 130 votos e espera ser o fiel da balança na eleição para a sucessão da Câmara. O grupo de Maia soma DEM, PSDB, MDB, PSL e Cidadania e, do outro lado, o líder do PP, Arthur Lira (AL), concorre tentando aglutinar o apoio dos partidos da base do governo e de dissidentes do grupo de Maia, além de fatias da oposição.

Na reunião de ontem, Maia listou os projetos que pretende aprovar até o fim de seu mandato em fevereiro. Ele pediu apoio para suspender o recesso em janeiro, dizendo que há pautas urgentes para o país, como a proposta de emenda constitucional (PEC) emergencial – de corte de despesas obrigatórias com o objetivo de abrir espaço no Orçamento para ampliar o Bolsa Família.

O calendário é curto. Não deve ocorrer sessão na próxima semana, apenas após o segundo turno da eleição, e aí sobrarão três semanas e meia até o recesso. Tempo que terá que ser dividido com as sessões do Congresso para votar os polêmicos vetos ao pacote anticrime e ao novo marco do saneamento básico e também pelo menos a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021.

Maia indicou que quer votar projetos negociados com ruralistas e ambientalistas, a regulamentação do Fundeb e a medida provisória (MP) do Casa Verde e Amarela (a reformulação do Minha Casa, Minha Vida), mas que a pauta principal é a reforma tributária. A oposição disse concordar os projetos, desde que com ajustes.

Do café da manhã saiu a primeira sinalização em prol dos partidos de oposição: o projeto de lei que muda regras da cabotagem (navegação costeira) não foi votado. O item estava na pauta da sessão desta quarta-feira e a base do governo decidiu apoia-lo, mas a oposição avisou que considera a proposta ruim e deveria ficar, no mínimo, para depois da eleição.

A suspensão do recesso tem defensores no governo, mas apenas com base em uma pauta definida, segundo um vice-líder governista. O mesmo discurso é feito pela oposição. Como essas pautas são antagônicas, ambos os lados acreditam que janeiro será dedicado apenas a campanha de eleição na Câmara.

 

 

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