Economia doméstica surpreende de julho a setembro

Valor Econômico
22/11/2019

Por Marcelle Gutierrez e Rita Azeved

Analistas do Bradesco BBI, Itaú BBA e Santander destacam resultados melhores de empresas domésticas no período

As empresas brasileiras de capital aberto ligadas à economia doméstica surpreenderam positivamente no terceiro trimestre de 2019. Pelo lado negativo, as companhias globais, como de papel e celulose, mineração e siderurgia reportaram resultados aquém do esperado, prejudicadas pela queda no preço das commodities. A análise é de três bancos de investimentos consultados pelo Valor – Bradesco BBI, Itaú BBA e Santander.

“Nos últimos três meses, a atividade econômica foi melhor do que o esperado e a primeira melhora foi em construção civil e serviços”, comentou André Carvalho, estrategista-chefe de ações para América Latina do Bradesco BBI, lembrando que a expectativa para o período era de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,1% e agora é de 0,3% a 0,4%.

Lucas Tambellini, estrategista do Itaú BBA, ressalta também como setores em destaque energia, saneamento, educação e bens de capital. “Todo mundo está convencido de que há uma melhora da atividade, gradual, e com juros baixos, sem pressão de custo”, diz Tambellini.

Das 104 empresas acompanhadas pelo Itaú BBA, 42% tiveram resultados positivos, 35% reportaram números neutros e 23% tiveram desempenho negativo.

A análise do banco é feita de forma qualitativa, considerando os números reportados em comparação com períodos anteriores e a qualidade de outros dados, como margens e caixa.

O Santander também realiza a comparação das estimativas de seus analistas com o real desempenho das 106 companhias do universo de cobertura. Neste trimestre, 41% dos resultados foram positivos, 43% neutros e 16% considerados negativos. “O mundo ideal é bater a estimativa dos analistas e apresentar crescimento”, comentou Daniel Gewehr, chefe da área de estratégia de ações para Brasil do Santander.

Segundo ele, já se vê “uma semente inicial de recuperação da economia”, com o crescimento das empresas listadas em bolsa superior ao desempenho do PIB.

As empresas ligadas ao mercado doméstico, como locadoras de veículos e do segmento de alimentos e bebidas e de construção civil mostraram crescimento no período, segundo Gewehr. De forma oposta, as companhias de papel e celulose e mineração e siderurgia foram afetadas pela queda dos preços de seus produtos no mercado internacional.

As empresas de varejo tiveram resultados pouco abaixo do esperado para o Santander e também para o Bradesco BBI, que projeta melhora com entrada de mais recursos do FGTS, crédito para pessoa física, geração de emprego, contínua melhora da demanda doméstica e relaxamento monetário.

“As boas notícias da atividade econômica no terceiro trimestre vão ter sustentabilidade e melhorar as previsões. Finalmente terá PIB maior no ano que vem e a aceleração já começou”, disse Carvalho, do Bradesco BBI.

Para o consolidado de todo o ano de 2019, a projeção do banco é de crescimento de 20% do lucro e, para 2020, de 15%. Segundo Carvalho, a menor expansão no próximo ano deve-se à base de comparação mais forte e pelo fato de as companhias já terem feito os ajustes internos possíveis. “As empresas já se beneficiaram da redução do custo financeiro, a base [de comparação] está mais alta e ajustes já foram feitos. Agora se espera um crescimento mais dirigido por demanda.”

Já o banco Santander projeta crescimento de 12% em 2019 das empresas e de 0,8% do PIB nacional. Em relação à 2020, a expectativa do lucro é de avanço de 17% e do PIB de 2%.

 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

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