Bolsa começa 2020 com salto de 2% e novo recorde

Valor Econômico
03/01/2020

Por Ana Carolina Neira e Lucas Hirata

Em dia de ganhos globais, Ibovespa vai a 118 mil pontos

Os mercados de ações em todo o mundo deram largada no ano de 2020 com uma nova rodada de ganhos. Em um dia de ampla busca por rentabilidade nas bolsas globais, incluindo as emergentes, o Ibovespa subiu mais de 2% e superou a marca de 118 mil pontos pela primeira vez na história.

O principal índice da bolsa brasileira subiu 2,53% na primeira sessão do ano e atingiu 118.573 pontos, que também representa o novo recorde intradiário. Sinal de firme demanda, o volume de negócios ganhou força nas últimas horas do pregão, chegando aos R$ 14,8 bilhões, acima da média diária de R$ 12,3 bilhões registrada em 2019.

O movimento reflete uma melhora de perspectiva para a atividade mundial diante da iminência de um acordo comercial na disputa sino-americana e do anúncio de novas medidas chinesas para impulsionar a atividade no país. Nos Estados Unidos, por exemplo, o S&P 500 subiu há 3 horas 0,84% para novo recorde, aos 3.257,85 pontos. Já no mundo emergentes, o principal índice de ações do México, o S&P/BMV IPC, subiu 2,06%.

Por aqui, o contexto global se alinha ainda com o cenário de juros baixos e sinais de retomada de crescimento no Brasil, reforçando a confiança do investidor.

Na avaliação do gestor Victor Candido, da Journey Capital, a escalada do Ibovespa encontra suporte principalmente nas blue chips e já indica um belo começo de ano para o mercado de renda variável. Afinal, a bolsa encontrou espaço para uma alta firme ainda que muitos agentes estejam fora das mesas de operação por causa das festas de fim de ano.

“Por enquanto, os investidores ainda atuam no embalo das notícias boas que tivemos no fim de 2019, além do acordo comercial, mas também dos bons indicadores internos. É preciso ver como o mercado vai se comportar a partir da semana que vem, especialmente com a retomada dos trabalhos em Brasília nas semanas seguintes”, pondera.

Ontem, a busca global por rentabilidade também se estendeu para ativos emergentes e brasileiros negociados em Nova York. Para se ter ideia do bom desempenho, um dos principais fundos de índices (ETF) de emergentes com operações em Wall Street – o iShares MSCI Emerging Markets ou EEM – registrou alta de 2,03%, aos US$ 45,78. Tudo isso depois de um ganho acumulado de 18% em 2019, considerando ajustes.

O salto de preços também foi significativo no ETF semelhante do Brasil. O iShares MSCI Brazil Capped (EWZ) subiu 2,02%, aos US$ 48,41. O que torna esse movimento ainda mais notável é o fato de que, em 2019, o avanço do ETF brasileiro superou o dos emergentes, angariando retorno de 28% no ano.

Para Luiz Fernando Missagia, gestor de renda variável da ACE Capital, o Brasil começa a reunir condições para que seus ativos financeiros superem o desempenho dos demais emergentes. Juros baixos, inflação controlada e, mais recentemente, sinais de retomada do crescimento pavimentam o caminho para ganhos adicionais na bolsa. “Com a expansão do PIB, mesmo que na margem, o mercado brasileiro pode ganhar mais que os pares, uma vez que ficamos para trás por muitos anos”, afirma.

Ele pondera, contudo, que a recuperação do PIB e a calmaria no exterior são condições cruciais para a escalada de preços na bolsa. Além disso, a valorização dos ativos tende a se chocar, de tempos em tempos, com movimentos de correção. De olho nisso, a gestora “faz uma rotação entre setores que ainda têm atratividade e estão mais baratos, ao mesmo tempo que montamos estruturas de proteção. A ideia agora é se posicionar em setores ligados a commodities, indústria e construção”, acrescenta Missagia.

De forma geral, o bom desempenho de ativos de risco veio após a declaração do presidente americano, Donald Trump, de que deve assinar um acordo comercial de fase 1 com a China no próximo dia 15. Além disso, o corte do compulsório anunciado pelo Banco do Povo da China (PBOC) trouxe ânimo adicional para os investidores, já que daria mais estímulo para a maior economia da Ásia.

Assim, os contratos futuros de juros fecharam o dia com alguma queima do prêmio de risco. A taxa do DI para janeiro de 2025 passou de 6,44% para 6,38%, enquanto a do DI para janeiro de 2027 recuou de 6,78% para 6,71%.

Por outro lado, a primeira sessão de 2020 foi marcada por ajustes no câmbio. O dólar comercial terminou em alta de 0,33%, aos R$ 4,0232, num movimento que foi influenciado por alguma correção após a queda de 5,42% acumulada em dezembro. O comportamento também reflete um avanço mais amplo do dólar, que subiu de maneira quase generalizada contra as divisas de países desenvolvidos.

 

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