BBM vai às compras e leva liquidez para debêntures

Valor Econômico
27/03/2020

Por Ana Paula Ragazzi

Nos últimos quatro ou cinco pregões, na estimativa do mercado, o BBM negociou mais de R$ 300 milhões, sempre na ponta compradora

Nesses dias sem liquidez no mercado secundário de debêntures, a presença do Banco BBM chamou a atenção de gestores que precisaram de recursos para arcar com resgates de seus fundos. Nos últimos quatro ou cinco pregões, na estimativa do mercado, o BBM negociou mais de R$ 300 milhões, sempre na ponta compradora.

“Nos primeiros meses do ano, tradicionalmente mais fracos na ponta de saída de empréstimos, o banco se preparou para tomar recursos antecipadamente, na expectativa de um aumento das operações de crédito em março”, afirma Cassio Von Gal, diretor de crédito e captação do BBM. “Nosso caixa hoje está no nível mais alto da história recente do banco, dos últimos oito ou dez anos”, diz. Com tanta liquidez, ele afirma, o BBM tem conseguido aproveitar oportunidades geradas pela crise do coronavírus. Primeiro no câmbio e bolsa; e, agora, nos títulos de crédito privado.

“As emissões de dívida no mercado primário pararam. E, com a falta de liquidez, surgiram bons negócios no secundário. Escolhemos nomes com os quais temos conforto e fomos às  Compras.”

Pedro Caldas, chefe da área de crédito do BBM, ressalta que o banco permanece conservador e fez uma seleção cirúrgica de grupos empresariais nos quais enxergam boas estruturas para enfrentar essa crise. “Seguimos conservadores diante desse momento atual do crédito, com nossa carteira e com qualquer tipo de liberação. Nosso comitê escolheu algumas empresas mais bem estruturadas, ainda que o momento seja muito nebuloso em termos de aspectos macro e de crédito”, afirma.

As escolhidas são aquelas com boa gestão de capital e de setores considerados defensivos neste momento, como saúde, energia e saneamento, atividades essenciais que deverão ter algum impacto, mas sem muita volatilidade. Outros setores, caso a caso, também são observados. Os executivos reforçam que o problema do mercado é de liquidez para os fundos, que sofreram resgates e já vinham perdendo investidores desde o ano passado, quando passaram por um ajuste técnico de taxas.

“As empresas têm acessado recursos com os grandes bancos, como debêntures e notas promissórias, nesse momento em que a janela de mercado está fechada”, diz Von Gal. Ele destaca que esses grupos, cujos papéis estão sendo negociados no secundário, aproveitaram as condições favoráveis de mercado no primeiro semestre de 2019 e captaram recursos a taxas menores e prazos longos.

“Quem tinha investimentos programados, se eles não estiverem financiados, neste momento deve readaptar o prazo de implementação”, diz o diretor do BBM.

Caldas afirma que o movimento de resgates nos fundos que gerou essa crise de liquidez no mercado foi acentuado em meados de março por pedidos não só de investidores de varejo, mas também de family offices e single offices. “Esses investidores, que têm um perfil mais estável, fizeram retiradas que acabaram pegando muitos fundos de surpresa, pois achavam que esse passivo não iria se mexer”, afirmou Caldas.

Segundo ele, no mercado local, o BBM tem atuado fortemente na compra de em debêntures atreladas a percentual do CDI e CDI mais um prêmio e chegou a responder por entre 30% e 50% dos negócios. Caldas não comenta sobre o montante de recursos que o banco já ofereceu ao mercado. O BBM, assim como os grandes bancos, tem aproveitado também oportunidades no mercado offshore.

O BBM tem atuado no mercado pela situação confortável de liquidez, uma vez que não recolhe compulsório e, portanto, não pode acessar a linha de R$ 91 bilhões criada na segunda-feira pelo Banco Central.

 

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