Pesquisadores da PUC-Rio encontram resíduos químicos e esgoto doméstico no Rio Guandu/RJ

Portal Saneamento Básico
25/01/2021

O trabalho avaliou a água do rio antes de ser tratada pela Cedae. Segundo os técnicos, quanto mais sujo o rio, mais caro é para purificar a água.

Pesquisadores do Centro Técnico Científico do Departamento de Química da PUC-Rio analisaram a água do Rio Guandu, antes de entrar na Estação de Tratamento da Cedae nesta quinta-feira (21). Os técnicos encontraram uma forte presença de esgoto doméstico e resíduos químicos nas amostras coletadas em dezembro do ano passado, no local conhecido como Lagoão, o último ponto de represamento de água do Rio Guandu, antes da entrada na Estação de Tratamento da Cedae.

Segundo Renato Carreira, professor do Departamento de Química da PUC, o Guandu, atualmente é tão sujo quanto os rios que drenam a Baía de Guanabara e podem ser considerados valões a céu aberto.

“O Rio Guandu é tão sujo quanto os rios que drenam a Baía de Guanabara, como o Canal do Cunha, do Mangue, o Rio Meriti. Todos esses são rios que são valões a céu aberto”, disse o professor.

Água tratada custa caro

Os professores que participaram do trabalho de pesquisa explicaram que a água analisada não é a água que chega na torneira dos consumidores. Segundo os pesquisadores, as pessoas recebem a água dentro das normas estabelecidas pela lei.

Depois de tratada, a água do Rio Guandu é utilizada para abastecer cerca de 9 milhões de pessoas da Região Metropolitana do RJ. De acordo com os especialistas, quanto mais poluído, mais caro fica o tratamento e mais alta é a conta para o consumidor.

“Quanto mais suja, mais você tem tecnologia. Quanto mais suja mais caro fica para tornar ela limpa. A questão é o custo e até que ponto esse tratamento é suficiente para remover tudo que pode estar presente naquela água”, avaliou Renato.

Componentes desconhecidos

O estudo desenvolvido pela PUC também encontrou a presença de hidrocarboneto de petróleo na água do reservatório do Guandu. Esse componente indica a falta de saneamento básico nas cidades estão nas margens do Guandu.

“A presença de esgoto doméstico e a presença desses hidrocarbonetos de petróleo mostram que essas águas são contaminadas pelo entorno. Falta saneamento básico”, disse Renato Carreira.

Outra preocupação para os pesquisadores é em relação aos componentes químicos desconhecidos e que não estão registrados na legislação que regulamenta a qualidade da água consumida.

“São vários outros contaminantes, alguns que nem estão na legislação como fármacos, ou como antibióticos. Esses parâmetros sequer estão na legislação. Isso é uma corrida contra o tempo, contra a tecnologia, porque cada vez mais a gente usa produtos novos, cada vez descobre que são tóxicos, e muitos deles não estão presentes na legislação”, explicou o professor.

Água boa para consumo

Segundo os responsáveis pelo trabalho, a água que chega na torneira dos consumidores é própria para o consumo. O material estudado por eles foi retirado do rio antes de entrar na Estação de Tratamento da Cedae.

“Após o tratamento que é realizado na Cedae, eles acabam se enquadrando [problemas], que seriam a cor, a turbidez, a presença de ferro, a presença de manganês. Basicamente, esses 4 parâmetros que estavam desenquadrados, mas como eu disse, esses parâmetros uma vez tratada adequadamente a água, esses parâmetros tendem a ser enquadrados”, disse Carreira 

Desmatamento nas margens

O principal problema que permite toda essa poluição, segundo os especialistas, é o desmatamento nas margens do rio.

“As margens dos rios foram ocupadas, então você tem um processo de erosão do rio que vai arrastando esse material rio abaixo”, explicou o pesquisador José Marco Godoy.

A pesquisa

O material retirado do rio foi analisado nos laboratórios de análises ambientais da universidade. Eles analisaram turbidez, metais, nutrientes, hidrocarbonetos. Os técnicos também coletaram peixes, mariscos e mexilhões do rio para uma análise mais global do nível de contaminação da região.

Segundo os especialistas, a pesquisa da PUC seguiu todos os protocolos internacionais para garantir a credibilidade do resultado encontrado.

Fonte: G1

 

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