Investidor segue atento a coronavírus

Valor Econômico
30/01/2020

Por Marcelle Gutierrez, Marcelo Osakabe, Victor Rezende e Ana Carolina Neira

Em clima de cautela, Ibovespa cai 0,94%, aos 115.385 pontos. Dólar sobe 0,62%

O clima de cautela tomou conta dos mercados, com os investidores ainda de olho na disseminação do coronavírus e seus impactos sobre a economia mundial. O Ibovespa chegou a ensaiar uma valorização na primeira hora do pregão de ontem, mas se firmou no negativo e encerrou o dia em queda de 0,94%, aos 115.384 pontos.

Já o dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,62%, para R$ 4,2193. Este foi o maior valor de fechamento desde 29 de novembro de 2019, quando a moeda americana atingiu R$ 4,2397.

“Houve uma clara tendência a seguir o mercado internacional neste pregão. Por enquanto, só dá para saber que vamos ter bastante volatilidade nos próximos dias, tanto no câmbio quanto na bolsa”, diz Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

A proliferação do coronavírus e seus efeitos econômicos têm dado o tom aos mercados desde segunda-feira. Ontem, companhias aéreas no exterior, como United Airlines, American Airlines e Lufthansa suspenderam voos para China e Hong Kong, concretizando os temores de impactos econômicos.

O presidente do Fed, Jerome Powell, disse também que o rápido crescimento do vírus pode representar riscos para o crescimento global.

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou para hoje a decisão sobre se irá declarar emergência global.

Segundo o governo chinês, o número de infectados pelo coronavírus no país já ultrapassou os 7 mil, superando o número de casos registrados no surto de Sars, entre 2002 e 2003. A contagem de mortos também subiu para 132.

Na bolsa brasileira, o cancelamento de voos no exterior atingiu as ações das companhias aéreas brasileiras. Os papéis preferenciais (PN) da Azul recuaram 4,07% e da Gol tiveram baixa de 3,45%. No caso da Azul, houve ainda um ajuste após alta de 8%.

Ações de peso, como bancos, pressionaram ainda mais o Ibovespa. Os papéis ordinários (ON) do Banco do Brasil caíram 2,46% e do Bradesco tiveram baixa de 2,12%. As ações preferenciais (PN) do Bradesco recuaram 1,43% do Itaú Unibanco reduziram 1,55%.

As units do Santander tiveram baixa de 1,86%, após balanço do quarto trimestre de 2019, com lucro gerencial de R$ 3,726 bilhões.

Além do coronavírus, o mercado passou o dia de olho na reunião do Fed e em uma possível mudança de tom do comunicado ou do discurso de Powell, que não ocorreu. A autoridade monetária americana manteve as taxas de juros entre 1,5% e 1,75%.

O Ibovespa chegou a reduzir as perdas durante a divulgação, mas exatamente a falta de surpresas fez com que o índice seguisse no campo negativo.

Antes do Fed, as taxas de juros futuros terminaram a sessão regular praticamente estáveis, com os investidores digerindo ainda informações sobre o nível de retomada da atividade econômica.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 ficou inalterada em 4,34% e a do DI para janeiro de 2022 permaneceu em 4,94%. Por outro lado, o contrato para janeiro de 2023 caiu de 5,50% para 5,49% e a do DI para janeiro de 2025 recuou de 6,21% para 6,20%.

Coletas diárias de inflação continuam a indicar que o IPCA tem perdido fôlego neste início de ano, após o salto nos preços de carnes no fim do ano passado.

 O IPCA ponta desacelerou de 0,29% na segunda-feira para 0,27% na terça-feira, de acordo com profissionais do mercado. A continuidade do comportamento benigno da inflação tem sido um dos fatores indicados por agentes financeiros para apoiar medidas adicionais de flexibilização monetária em 2020.

 

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