Dividendo global deve perder fôlego

Valor Econômico
19/11/2019

Por Jennifer Thompson

Desaceleração econômica deve prejudicar lucro das empresas em 2020

O crescimento de dividendos em termos globais deve fraquejar no ano que vem, à medida que a desaceleração econômica em grande parte do mundo prejudica os lucros das empresas.

Nos três meses encerrados em setembro deste ano, o total de dividendos pagos aos acionistas cresceu 2,8%, para um recorde de US$ 355,3 bilhões, segundo o relatório do Indicador Mundial de Dividendos da Janus Henderson. O crescimento subjacente – depois de eliminados os efeitos de dividendos especiais, movimentos cambiais e outros fatores pontuais – foi de 5,3%.

No entanto, o relatório da Janus prevê que o crescimento subjacente este ano será mais lento do que em 2018 e considera provável que a tendência persista em 2020. “Não é um desastre, [mas] temos visto rebaixamentos no crescimento econômico mundial”, disse Jane Shoemake, diretora de investimentos da equipe Global Equity Income da Janus Henderson.

O Reino Unido se beneficiou de dividendos especiais pontuais em empresas como o Royal Bank of Scotland (RSB) e a mineradora Rio Tinto, mas o crescimento subjacente foi fraco, de 0,6% no terceiro trimestre. Cerca da metade das empresas chinesas acompanhadas pelo indicador cortou seus dividendos no período, embora para os Estados Unidos a taxa de crescimento subjacente tenha sido de 8,1%, chegando a um nível recorde de US$ 135,6 bilhões.

 Os formuladores de políticas mundiais advertem com cada vez mais frequência que fatores como a guerra comercial entre os EUA e a China e a instabilidade política estão prejudicando as perspectivas de crescimento.

No mês passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) rebaixou drasticamente sua previsão de crescimento mundial, para 3% em 2019, o nível mais baixo desde a recessão de 2008 e 2009. Um estudo recente do think tank da Brookings Institution e do “Financial Times” concluiu que a economia mundial entrou em um período de “estagnação sincronizada”.

 A Janus Henderson manteve inalterada sua previsão para 2019, de US$ 1,43 trilhão em dividendos mundiais. Isso equivale a um aumento subjacente de 5,4%, abaixo dos 8,5% do ano passado.

Os dividendos aumentam todo ano há uma década. Jane Shoemake disse que os aumentos foram maiores em 2017 e 2018, quando o crescimento econômico foi mais forte, mas acrescentou que 5% a 6% é um nível histórico mais típico, e ainda assim encorajador.

“Temos alertado os investidores durante todo o ano de que o rápido crescimento de dividendos de que eles se beneficiaram nos últimos dois anos deve voltar a níveis mais normais”, disse ela. “Uma economia global em desaceleração começa a ter impacto nos lucros corporativos e, por sua vez, nos dividendos.”

O grupo de telecomunicações AT&T deve ser o maior pagador de dividendos nos EUA este ano, pela primeira vez desde 2012, pagando cerca de US$ 14,9 bilhões. A Shell deve manter sua coroa como a maior pagadora de dividendos do mundo pelo quarto ano consecutivo.

Jane Shoemake disse que, apesar de um certo pessimismo, o investimento em empresas ainda é uma perspectiva atraente para muitos, dado que as taxas de juros estão em baixos níveis históricos, o que cria uma falta de oportunidades em outras partes para quem busca retornos.

 

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