Com saneamento, IFC prevê alocar US$ 6,4 bi no Brasil até 2023

Valor Econômico

12/01/2021

Por Talita Moreira — De São Paul

Com saneamento, IFC prevê alocar US$ 6,4 bi no Brasil até 2023

Braço do Banco Mundial para o setor privado coloca projetos de água e esgoto como prioridades

A International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos do Banco Mundial no setor privado, planeja destinar ao Brasil US$ 6,4 bilhões nos anos fiscais de 2021 a 2023. Projetos de água e esgoto serão o foco principal da agência, na esteira do marco regulatório aprovado no ano passado e da pandemia.

“É a prioridade das prioridades”, afirma Carlos Leiria Pinto, que assumiu o comando do escritório brasileiro em maio e concedeu ao Valor sua primeira entrevista desde então. “Vamos alocar mais recursos [no setor].”

Saneamento já era um dos alvos da IFC, mas ainda não era a aposta número um no planejamento anterior – quando o governo Bolsonaro estava começando, havia, no mercado, a expectativa de que investimentos em infraestrutura teriam forte impulso. Agora, a leitura da agência é a de que projetos de água e esgoto devem ganhar fôlego com as oportunidades trazidas pelas novas regras. Estimativas do Ministério da Economia apontam em cerca de R$ 700 bilhões o potencial de atração de recursos do setor a partir da mudança na legislação. Ao mesmo tempo, a covid-19 – que tem a higiene como principal medida de prevenção – também contribuiu para escancarar as deficiências do Brasil nessa área.

“Os objetivos [do marco regulatório] são difíceis, mas são impossíveis sem a participação do setor privado”, afirma.

De acordo com Pinto, a IFC já mantém conversas com um banco estadual de desenvolvimento para atuar em um projeto de saneamento e também está na fase final de negociação com uma empresa privada que atua no setor. São operações na faixa de US$ 100 milhões cada. Os nomes, contudo, ainda não são públicos.

No total, a IFC viabilizou investimentos de US$ 2,2 bilhões no ano fiscal de 2020, que se encerrou em 30 de junho, e outros US$ 842 milhões na primeira metade do exercício fiscal de 2021. O número deste ano deve ficar parecido com o do anterior.

A pandemia provocou mudanças na estratégia da agência. Habitualmente focada em investimentos de longo prazo, a IFC se viu financiando capital de giro de empresas para evitar uma quebradeira maior. Também reforçou as linhas para bancos voltadas à concessão de créditos a pequenas e médias companhias, as mais afetadas pela crise. “O objetivo era não deixar as empresas fecharem as portas, não esperar para ver”, afirmou.

Outro investimento feito no período foi um empréstimo de US$ 80 milhões para a Jive, gestora de recursos especializada em “ativos estressados”. Segundo Pinto, esse foi outro caminho encontrado pela IFC para ajudar a dar sobrevida a pequenos negócios.

Pinto, que fez carreira em bancos como Santander, BNP Paribas e Commerzbank, foi o responsável pela IFC na região andina antes de assumir o comando da operação brasileira. Por enquanto, o executivo ainda mora em Lisboa, já que o escritório local está fechado por causa da pandemia, mas deve se mudar para o Brasil quando as condições melhorarem.

O executivo também planeja dar maior enfoque à sustentabilidade. Neste ano, a IFC vai trazer para o Brasil uma certificação de construções sustentáveis e os bancos que trabalharem com ela poderão financiar, com juros mais baixos, incorporadoras que seguirem as práticas.

Em paralelo aos financiamentos, a IFC também vem atuando no assessoramento de concessões. São os casos do edital das linhas 8 e 9 da CPTM e das parcerias público-privadas de iluminação pública promovidas pela Caixa.

Embora veja grandes oportunidades no mercado brasileiro, o novo chefe da IFC afirma que o governo precisa transmitir confiança aos investidores para que o país tire proveito da ampla liquidez nos mercados. “Os agentes estão conscientes, dando suas sinalizações”, diz. “O mercado está sinalizando que é importante manter a disciplina fiscal”.

 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

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