Níveis das represas da Grande SP estão inferiores aos de 2013

Folha de São Paulo
10/06/2021

Por Clayton Freitas


Volume de água disponível é 5% menor; situação só será preocupante se chuvas de início de 2022 ficarem abaixo da média

A quantidade de água disponível nos sete reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo é 5% inferior ao registrado em junho de 2013, meses antes da pior crise hídrica da história do estado, de 2014 a 2015.

Apesar do volume útil garantir de forma tranquila o abastecimento nos próximos meses, alguns especialistas se dizem preocupados porque há meses as médias de chuvas têm ficado abaixo do esperado.

A tempestade perfeita dessa equação pode se formar se as chuvas previstas para janeiro e fevereiro de 2022 não vierem, levando a novo ciclo de estiagem e provocando uma queda rápida na água disponível, tal qual ocorreu a partir de junho de 2013 até maio de 2014, quando até o volume morto –água que fica abaixo do nível de captação– do Cantareira precisou ser usada.

“As perspectivas não são de chuvas abundantes na primavera [2021] e no verão [2022]. Todos falam da crise de 2014 mas ela não começou em janeiro de 2014, ela começou em maio de 2013, quando os níveis de chuva ficaram muito abaixo do esperado. Quando as pessoas perceberam que havia falta de água, aí já era tarde”, afirma Pedro Luis Côrtes, professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental do IEE (Instituto de Energia e Ambiente) da USP.

Dados de 10 de junho de 2013 indicam que os seis reservatórios existentes até então contavam com 64,8% do total de sua capacidade, cifra que atualmente é de 54,5%.

Outro dado que chama a atenção é que a quantidade de água no Cantareira, o maior e mais importante reservatório do sistema de abastecimento da Grande São Paulo, que está com 20% menos água armazenada agora que há oito anos. Esse déficit ocorre mesmo com uma de suas represas, a Atibainha, sendo abastecida pela transposição de águas do rio Paraíba do Sul, situação que não existia em 2013.

É impossível dizer se de fato ocorrerá neste ano e no começo de 2022 o mesmo que ocorreu entre 2013 e 2014. Tudo vai depender se o La Niña, previsto para o final deste ano, de fato se confirmar, tal como prevê alguns especialistas.

“Se realmente for confirmada a La Niña, então significa que a expectativa é que venha abaixo de uma média. Então depende de sua intensidade. Ela pode vir um pouquinho abaixo da média, pouco abaixo da média, ou como foi nesse último verão, que caiu bem a precipitação”, afirma Antônio Carlos Zuffo, do Departamento de Recursos Hídricos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

O La Niña é um fenômeno natural que reduz as temperaturas da superfície do oceano Pacífico Tropical Central e Oriental com frequência tem como efeito a redução dos índices pluviométricos na região Sul e, em alguma medida, também no Sudeste e Centro-Oeste.

Por se tratar de algo imponderável —é impossível determinar com tanta antecedência o volume de chuvas que atinjirão os reservatórios da Grande São Paulo daqui a seis meses—, Antônio Eduardo Giansante, professor de recursos hídricos e saneamento do Mackenzie, defende que as medidas de uso racional da água devem ser constantes.

“A gente tem uma incerteza grande. A gente não tem controle sobre a chuva. Os modelos matemáticos têm as suas limitações. Então, eu tenho restrições em dizer, com certeza, se vai chover menos ou não. Temos de atuar onde a gente tem controle, que é aqui embaixo, fazendo uso eficiente da água, programa de combate às perdas e campanhas permanentes para as pessoas economizarem água”, afirma.

Zuffo, por sua vez, diz não haver motivo algum para alarde. Ao menos por enquanto.

Já Côrtes defende que a Sabesp deve, desde já, implantar programas de incentivo tais como bônus para quem economizar água, assim como foi feito durante a crise hídrica.

Resposta

O diretor-presidente da Sabesp, Benedito Braga, afirmou que a empresa está tranquila neste momento. Segundo ele, as várias obras realizadas aliada a redução do consumo por parte dos consumidores faz com que a atual situação em nada possa ser comparada com a vivida em 2013.

“Temos mais resiliência hoje do que tínhamos naquela época”, afirma o executivo.

Braga diz não ser necessário adotar nenhuma medida adicional além daquelas que estão em curso. Entre elas ele cita as campanhas de conscientização junto à população, alertando para o uso racional da água.

Ele diz que os especialistas apenas focam suas atenções na oferta —no caso a quantidade de água disponível— sem observar a demanda. Segundo ele, no primeiro trimestre de 2013, a produção era de 72 mil litros de água por segundo, cifra que foi de 63 mil litros de água por segundo no primeiro trimestre de 2013. “Essa é uma redução muito importante”, diz.

O executivo confirma que as chuvas dos próximos meses devem ficar abaixo da média. “Suponha que janeiro e fevereiro não venham as chuvas que normalmente são as mais expressivas do verão. Bom, então lá nós vamos ter um outro problema, certo? E não é motivo de espalhar uma preocupação que não é devida nesse momento”, afirmou.

 

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