Curitiba apresentou o melhor índice de saneamento entre as capitais, seguida por Brasília e Belo Horizonte

Por videoconferência, foi realizada a 4ª edição do Ranking Abes da Universalização de Saneamento 2020, no dia 5 de junho. A apresentação foi feita pelo coordenador da Câmara Temática da Abes de Comunicação no Saneamento, Dante Ragazzi Pauli. Os dados coletados dos 1.857 municípios participantes, que representam 33% das localidades existentes no país, são oriundos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), utilizado para estudos e comparações do setor.

O ranking separa as cidades de grande porte (com mais de 100 mil habitantes) e as de médio e pequeno (com menos de 100 mil). Os municípios são avaliados por seu percentual de pessoas atendidas pelos serviços de abastecimento de água, coleta de esgoto e de resíduos sólidos, além de aferir o quanto de esgoto recebe tratamento e se os resíduos recebem destinação adequada. Só entram no ranking os municípios que forneceram aos SNIS as informações para cálculo de cada um desses indicadores. Cada cidade pode receber o máximo de 500 pontos.

São considerados os municípios com maior pontuação os que estão no “Rumo certo da universalização” e acima de 489 pontos; os que estão entre 450 e 489 têm “Compromisso com a universalização”; os que fazem entre 200 e 449 pontos estão “Empenhados com a universalização” e abaixo de 200, estão ainda nos “Primeiros passos da universalização”.  Foi o caso da capital de Porto Velho, com 149 pontos.

Na classificação, Curitiba (PR) ficou em primeiro lugar, com nota máxima. Foi a quarta vez consecutiva que a cidade apresentou o maior indicador de saneamento, seguida por Brasília (DF) e Belo Horizonte (MG). Para o diretor-presidente da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Claudio Stabile, o resultado reflete o trabalho que a associada tem feito na ampliação e melhoria dos serviços na cidade, atendendo ao crescimento da população e antecipando demandas. São Caetano do Sul, Rio Claro e Piracicaba, localizadas no estado de São Paulo, também se destacaram na categoria “Municípios de grande porte”. 

De todos os municípios avaliados, apenas 98 estão na categoria “Rumo à universalização” e 222 encontram-se na categoria “Compromisso na universalização”. Grande parte da amostra está classificada como “Empenho para a universalização” (1.298) e 239 nos “Primeiros passos para universalização”. Os dados apontam que muitas cidades ainda se encontram em situação precária. “O resultado demonstra o tamanho do desafio. O objetivo da Abes é pela universalização, pela boa prestação de serviço e pela luta por condições mais dignas de saneamento. Nós sabemos que saneamento é saúde. Este é o grande mote da Abes”, disse o coordenador da Câmara Temática da Abes de Comunicação no Saneamento, Dante Ragazzi Pauli, durante a apresentação do ranking.

Para o professor e coordenador do MBA de Saneamento Ambiente da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP/SP), Elcires Pimenta, o ranking é um instrumento que permite um mapeamento da situação do saneamento no país e quais medidas estão sendo tomadas rumo à universalização.

Saneamento e a Covid-19

O relatório apresentou, ainda, dados do Data SUS apontando que, nos primeiros três meses do ano, cerca de 14 mil leitos foram ocupados nos hospitais, não em decorrência do novo coronavírus, mas por doenças relacionadas à falta de  saneamento, como febre tifoide, diarreia e hepatite A, representando um custo de R$ 16 milhões. Metade desses casos estão situados na região Nordeste. “No momento de colapso que estamos vivendo com o sistema de saúde, em especial por conta da Covid-19, poderíamos ter uma situação melhor nos hospitais se não tivéssemos tantas internações relacionadas ao saneamento”, avalia Dante. Os dados do relatório apontam também que os municípios com os melhores índices de saneamento gastam menos com medicina preventiva.

Os dados informados ainda são baixos. E um dos motivos para isso é a falta de planejamento dos municípios brasileiros. Para aprimorar as informações dos prestadores de serviços de saneamento, o Ministério de Desenvolvimento Regional, por meio do Projeto Acertar, desenvolve uma ação importante para certificação das informações disponibilizadas pelas companhias de saneamento, na esperança de melhorá-las. “Torcemos para que o SNIS seja levado cada vez mais a sério pelos governantes e até pelo  próprio governo federal. A gente não avança se não tiver planejamento.  E, para isso, precisamos de dados”, diz Dante.

É possível assistir à apresentação do relatório completo por meio do link: https://bit.ly/2MIGCpS  

 

 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

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