WEG se vê preparada para 2022

Valor Econômico

Por Letícia Fucuchima

28/10/2021 05h01

Fabricante pretende elevar volume de investimentos no próximo ano

A fabricante catarinense de máquinas e equipamentos WEG se considera bem preparada para enfrentar um provável cenário de maior volatilidade no mercado doméstico em 2022.

Além de ter construído uma carteira de pedidos robusta, amparada pela retomada industrial vista nos últimos meses, a companhia deve se beneficiar da exposição a diferentes setores da economia, o que lhe permite capturar oportunidades onde os negócios estão melhores, e da forte presença no mercado internacional, que já representa 60% de sua receita e vem numa trajetória consistente de recuperação.

“Por enquanto, com base na entrada de pedidos que temos, tanto para ciclo curto quanto longo, estamos bem”, disse ao Valor André Luís Rodrigues, diretor financeiro da WEG.

Segundo o executivo, a companhia tem sido cautelosa em fazer previsões para o próximo ano, até mesmo pelas turbulências enfrentadas nos últimos tempos, como o desarranjo nas cadeias globais de suprimento. “Ainda é cedo para traçarmos cenários otimistas ou pessimistas. Desenvolvemos nossa estratégia de longo prazo e somos fiéis na execução dela. Não vamos reduzir investimento”, destacou.

A companhia ainda não fechou sua previsão para aportes em 2022, mas a expectativa é investir mais do que neste ano, que deve encerrar com montantes entre R$ 750 milhões e R$ 800 milhões. Algumas dificuldades pontuais, principalmente na construção de uma fábrica de motores na Índia, fizeram com que a multinacional não conseguisse alcançar o patamar de R$ 1 bilhão projetado no início do ano. Mesmo assim, os valores já ficarão bem acima da faixa dos R$ 500 milhões anuais que a WEG vinha investindo até 2019, ressalta o diretor.

Ontem, a companhia sediada em Jaraguá do Sul (SC) divulgou mais um trimestre de resultados positivos. Entre julho e setembro, o lucro líquido da WEG subiu 26,2% na base anual, para R$ 812,9 milhões, enquanto o Ebitda cresceu 22,3%, a R$ 1,14 bilhão. Já a receita líquida avançou 29,1%, para R$ 6,2 bilhões.

Os números foram impulsionados pela melhora da atividade industrial tanto no mercado interno quanto externo, com boa demanda principalmente dos segmentos de óleo e gás, mineração e água e saneamento.

Outro destaque é a divisão de geração, transmissão e distribuição (GTD) de energia, que corresponde a pouco mais de 35% da receita da companhia. Segundo Rodrigues, a WEG está colhendo os frutos de seu posicionamento no mercado de energias renováveis, que vem crescendo de forma acelerada com a agenda global de transição energética. Além de fornecer turbinas para usinas eólicas e para hidrelétricas de pequeno porte, a fabricante passou a ter no portfólio soluções completas para o mercado de energia solar, seja para geração distribuída (pequenos empreendimentos), seja para geração centralizada (grandes usinas).

Apesar do cenário positivo, o comportamento dos custos segue como um ponto de atenção. No último trimestre, a alta de matérias-primas como aço e cobre, aliada à composição do mix de produtos vendidos, levou a uma queda da margem bruta da companhia. Rodrigues afirma que a WEG não sofrerá com desabastecimento de componentes, já que trabalha com uma estrutura verticalizada e reforçou estoques do que não produz internamente, mas aponta que, no caso de eletrônicos, a situação do mercado só deve se normalizar em 2023.

 

AESBE - Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento

SCS - Quadra 01 - Bloco H - Edifício Morro Vermelho - 16º andar - CEP: 70399-900 - Brasília-DF - Tel/Fax.: 55 61 3022-9600

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?