Venda de materiais de construção cai, mas ano será de alta

Valor Econômico

Por Chiara Quintão — De São Paulo

09/11/2021

Para 2022, o aumento do faturamento será de metade do valor obtido neste ano, segundo o presidente da Abramat

As vendas da indústria de materiais de construção caíram, em outubro, pelo segundo mês consecutivo, na comparação anual, mas ainda assim a expectativa da Abramat, entidade que representa o setor, é que o crescimento a ser registrado neste ano supere a projeção de 8%, chegando a 9%. Em dez meses, as vendas de materiais acumulam expansão de 12,8% e, nos 12 meses encerrados em outubro, alta de 13,3%. Para 2022, ainda não há estimativa, mas a percepção do presidente da Abramat, Rodrigo Navarro, é que o aumento do faturamento será de metade do deste ano.

Em outubro, o faturamento da indústria de materiais teve retração de 4,2%, na comparação anual, mesmo patamar de baixa registrado em setembro. Essas quedas eram esperadas, segundo Navarro, diante da base de comparação elevada nos respectivos meses de 2020 e de a comercialização dos produtos do setor ter voltado a concorrer, por exemplo, com entretenimento, na disputa pelo bolso dos consumidores, diante da redução do isolamento social. Inflação e juros em alta também contribuem para a redução de vendas de materiais.

O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) também divulgou os dados de outubro. As vendas do insumo tiveram queda de 9,5%, na comparação anual, para 5,4 milhões de toneladas. De acordo com o SNIC, foi o pior resultado mensal deste ano. Por dia útil, houve redução de 4,2% da comercialização ante setembro, para 237,3 mil toneladas. Em relação a outubro de 2020, a retração foi de 5,8%.

No acumulado de dez meses, as vendas de cimento cresceram 7,5%, para 54,6 milhões de toneladas. Em abril, a expansão acumulada era de 20,8%. Desde então, passou a haver desaceleração do crescimento, diante de base de comparação mais elevada. As fortes chuvas também contribuíram para a piora do desempenho de outubro.

Quando 2020 começou, a Abramat e a Fundação Getulio Vargas (FGV) esperavam crescimento de 4% do faturamento deflacionado do setor de materiais. Veio a pandemia de covid-19, e a retração das vendas ocorreu de tal forma que a projeção passou a ser de queda de 7%. A partir de meados do ano, porém, houve forte aquecimento do setor, o que permitiu que, no consolidado de 2020, fosse registrada leve queda de 0,3%. “No ano passado, a palavra de ordem foi superação. Neste, é recuperação”, diz Navarro. Se o setor crescer 8% ou 9%, retomará ao patamar de 2012.

Para o próximo ano, há várias incertezas que podem afetar o desempenho da economia e da indústria de materiais de construção, com destaque para as eleições majoritárias, ressalta o presidente da Abramat. Indicadores macroeconômicos, aprovação ou não das reformas e preços das commodities internacionais também figuram entre os fatores que vão impactar o desempenho do setor, assim como o marco regulatório do saneamento e a continuação das obras de infraestrutura.

Apesar das incertezas, Navarro cita que a pretensão de investimentos, no médio prazo, por empresários do setor ouvidos pela Abramat ficou em 77%, em outubro, enquanto o uso da capacidade instalada foi de 81%. Antes da pandemia, o patamar de intenção de investimentos era de 70%, e a utilização da capacidade estava na faixa de 70% a 73%.

Exemplos de aposta na continuidade da demanda por materiais foram os anúncios recentes feitos por Lorenzetti e Vedacit para expansão das respectivas capacidades instaladas. A Lorenzetti fará aportes de R$ 200 milhões para dobrar sua capacidade de produção de louças sanitárias até 2024. Já a Vedacit prevê investimentos de R$ 178 milhões para transferência gradual de sua produção na capital paulista para Itatiba (SP), até 2024, e ampliação de sua capacidade produtiva total em 2,4 vezes.

 

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