Situação hídrica é crítica e vão ser necessárias medidas do lado da demanda, diz Energisa

Valor Econômico
13/08/202

Por Gabriela Rudd

Presidente da empresa avalia que o país precisa olhar para soluções aplicadas no passado para enfrentar o momento atual de menor volume de chuvas dos últimos 91 anos. 

O presidente do grupo Energisa, Ricardo Botelho, vê como “crítica” a situação hídrica do país como. “A situação é complicada. Estão sendo acionadas uma série de medidas por parte do governo, mas sabemos que vão ser necessárias medidas também do lado da demanda”, afirmou o executivo.

O Brasil vive o período seco com o menor volume de chuvas dos últimos 91 anos. Para o executivo, o país precisa olhar para soluções aplicadas no passado em outras crises semelhantes para enfrentar o momento atual.

“Temos que talvez olhar um pouco a experiência do passado e verificar que medidas daquelas épocas poderiam hoje ser aplicadas. Algumas medidas do passado deram muito certo”, disse.

Segundo Botelho, a companhia acompanha as discussões sobre o programa de resposta à demanda, iniciativa do governo para que grandes consumidores recebam incentivos para migrar o consumo para fora de horários de pico da demanda.

“Estamos tentando ser inseridos nessas discussões para entender um pouco melhor os mecanismos por meio da associação de distribuidoras. Esperamos em breve ter um pouco mais de clareza de como isso pode ser feito”, complementou Botelho.

Planos

A Energisa vai investir R$ 125 milhões durante o segundo semestre de 2021 nos 11 projetos de geração distribuída do grupo que estão em construção, segundo o diretor financeiro, Maurício Botelho. Ao todo, a companhia já tem quatro projetos no modelo em operação. A maior parte dos projetos da Energisa no segmento estão localizados em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

Além disso, a companhia segue buscando diversificar seus investimentos, mas não tem interesse em entrar no setor de saneamento, segundo o diretor financeiro. “Estamos, sim, olhando ativamente para a diversificação da carteira, em busca de ativos de qualidade e que reforcem nossa plataforma de negócios”, disse.

De acordo com o presidente do grupo, a companhia segue atenta aos mercados de geração distribuída, geração de energias renováveis e ao setor de transmissão. “Os leilões de transmissão têm sido muito competitivos, então temos que olhar com bastante atenção as oportunidades”, ressalvou.

A empresa também recebeu a aprovação de financiamentos no valor de R$ 493 milhões para investimentos em transmissão no Tocantins. Maurício Botelho disse que o valor total aprovado corresponde a 75% dos investimentos no segmento previstos para o grupo no Estado.

Em junho, a companhia arrematou um projeto de transmissão no Tocantins durante o leilão de transmissão da Aneel.

Segundo o executivo, levando em consideração todas as obras de transmissão da companhia no país, o grupo trabalha com a perspectiva de conseguir antecipar a entrega dos projetos, em média, entre 12 e 18 meses.

Distribuidoras

Todas as distribuidoras do grupo Energisa tiveram perdas de energia abaixo dos limites regulatórios no segundo trimestre de 2021, o que ocorre pela primeira vez desde o quarto trimestre de 2018, segundo Ricardo Botelho.

A companhia vinha tendo perdas acima do limite nos últimos anos devido à incorporação de antigas subsidiárias da Eletrobras em Rondônia e no Acre.

As perdas de energia do grupo Energisa no terceiro trimestre do ano ficaram em 13,11%. O limite regulatório é de 13,14%.

Segundo Botelho, ao longo do trimestre o cenário para a inadimplência e a arrecadação junto aos consumidores “continua desafiador” mas está melhor na comparação com o ano passado.

“Nossas ações de cobrança, com ações digitais, têm contribuído para a melhora desses indicadores”, disse em teleconferência com analistas.

A inadimplência de clientes das distribuidoras do grupo somou R$ 95 milhões entre abril e junho de 2021, queda em relação aos R$ 244,9 milhões dos mesmos meses em 2020.

 

 

 

 

 

 

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